Irmãos Gêmeos Gali e Ziv Berman Reconstroem Vidas Após Mais de Dois Anos em Cativeiro na Faixa de Gaza
A história de Gali e Ziv Berman, irmãos gêmeos que sobreviveram a mais de dois anos de cativeiro na Faixa de Gaza, é um testemunho da resiliência humana diante de horrores inimagináveis. Capturados em 7 de outubro de 2023, no kibutz Kfar Aza, eles foram libertados em 13 de outubro de 2025, mas a jornada para a normalidade está longe de terminar.
Aos 26 anos na época do sequestro, os gêmeos enfrentaram separação, agressões e privações, vivendo a maior parte do tempo em túneis úmidos sob Gaza. Agora, com 29 anos, Gali estuda direito, governança e diplomacia, enquanto Ziv reconstruiu sua vida pessoal com um novo relacionamento. Suas experiências, no entanto, continuam a assombrá-los, assim como a todo o país.
A libertação trouxe um reencontro emocionante com a família, mas também a dolorosa constatação da devastação e das perdas sofridas. A história dos irmãos Berman, conforme divulgado por diversas fontes, destaca a complexidade do retorno e a busca incessante por um futuro, mesmo com as cicatrizes profundas deixadas pelo cativeiro.
O Retorno à Liberdade e a Busca por Respostas
Ao serem levados para fora de Gaza pelos soldados israelenses, Gali e Ziv tinham “milhares de perguntas”. A incerteza sobre a sobrevivência de seus familiares e o destino de sua comunidade pesava em suas mentes. Descobriram que mais de 60 moradores de Kfar Aza haviam sido mortos e outros 19 sequestrados, um golpe devastador para o pequeno kibutz.
O reencontro com a mãe, Talia, em uma base militar, foi um momento de alívio indescritível, mas a primeira semana de liberdade foi marcada por visitas a familiares doentes e a busca por um senso de segurança. O reencontro com a amiga Emily Damari, sequestrada junto com eles e libertada meses antes, trouxe um vislumbre de esperança, culminando na participação dos irmãos no casamento dela.
A Profunda Cicatriz do Cativeiro
A experiência em cativeiro deixou marcas físicas e psicológicas profundas. Ambos perderam cerca de 20 kg, e Ziv precisou passar por extenso tratamento dentário, tendo ficado cerca de um ano sem escovar os dentes. A necessidade de se proteger em abrigos desde a infância, devido aos constantes disparos de foguetes de Gaza, moldou a vida dos irmãos.
O ataque de 7 de outubro, no entanto, superou qualquer cenário imaginado. Gali descreveu o momento em que combatentes invadiram a casa de Emily, mataram seu cachorro e atiraram nela. Ziv, por sua vez, precisou sair de seu quarto protegido devido à fumaça, sendo capturado em seguida.
Reencontros Marcados pela Propaganda e a Esperança de Recuperação
Durante o cativeiro, Gali e Ziv foram separados, mas tiveram alguns breves reencontros, um deles filmado para um vídeo de propaganda do Hamas. A dor da separação e a esperança de um futuro juntos eram sentimentos constantes. A libertação de outros reféns e a recuperação do corpo do sargento-mor Ran Gvili foram marcos importantes para o fim da saga dos reféns, como relataram os irmãos.
Apesar do trauma, os irmãos Berman buscam viver plenamente. Viajaram para contar ao mundo suas histórias, encontraram-se com figuras como o presidente Donald Trump e celebram a vida com festas e reencontros com amigos. A proximidade entre eles se fortaleceu, e a vontade de estar juntos é ainda maior após as experiências compartilhadas.
Um Futuro com Memórias Indeléveis
O futuro de Gali e Ziv será para sempre influenciado pelas memórias do cativeiro. Eles reconhecem que o tempo em Gaza “sempre fará parte de mim, para o bem e para o mal”, como disse Gali. No entanto, a gratidão por estarem vivos e a determinação em não dar nada como garantido impulsionam a reconstrução de suas vidas, um passo de cada vez, em busca de paz e normalidade.





