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Israel abre fogo contra 10 barcos de ajuda humanitária que tentavam chegar a Gaza; brasileiros entre os detidos

Israel intercepta mais 10 barcos de ajuda humanitária a caminho de Gaza e abre fogo

Forças israelenses interceptaram dez embarcações de uma flotilha de ajuda humanitária que navegava em direção a Gaza nesta terça-feira (19). Imagens de vídeo e organizadores da flotilha indicam que as forças abriram fogo contra pelo menos duas das embarcações. Israel, por sua vez, afirmou que não utilizou munição real e que não houve vítimas.

A flotilha, composta por cerca de 41 barcos em sua totalidade, realizava uma nova tentativa de entregar ajuda à Faixa de Gaza. Missões anteriores já haviam sido capturadas por Israel em águas internacionais. A organização brasileira Global Sumud relatou que, somadas às detenções de segunda-feira, outras dez embarcações foram capturadas nesta terça, com “muito mais truculência”.

A organização denunciou o que chamou de “quase 35 horas de agressão naval e violência contínuas” por parte das forças israelenses, que teriam “abordado e sequestrado violentamente todos os navios e participantes” da iniciativa. A embarcação que chegou mais perto do território palestino foi interceptada a 80 milhas náuticas (148 km) da costa de Gaza.

Brasileiros entre os detidos na flotilha para Gaza

Três brasileiras foram capturadas pelas forças israelenses na primeira operação: Beatriz Moreira, militante do Movimento de Atingido por Barragens, Ariadne Teles, advogada de direitos humanos e coordenadora da Global Sumud Brasil, e Thainara Rogério, desenvolvedora de software, nascida no Brasil e cidadã espanhola. Ariadne Teles e Thainara Rogério haviam declarado, momentos antes da captura, que entrariam em greve de fome até serem soltas.

Nesta terça-feira, o quarto brasileiro participante da flotilha, o médico pediatra Cássio Pelegrini, também foi capturado. Segundo a organização, os quatro brasileiros não puderam ser contatados desde as operações de interceptação e detenção. A Flotilha Global Sumud é composta por cerca de 428 participantes de mais de 40 países.

Israel reafirma bloqueio naval e não permitirá “violação”

O Ministério das Relações Exteriores de Israel declarou na segunda-feira que “não permitirá nenhuma violação do bloqueio naval legal sobre Gaza”. O comunicado oficial de Israel também reforçou que “em nenhum momento foi disparada munição real” e que “meios não letais foram empregados em direção às embarcações — não contra os manifestantes — como advertência”.

No entanto, vídeos da transmissão ao vivo da flotilha mostraram soldados disparando contra duas das embarcações, sem que o tipo de munição utilizada ficasse evidente. A organização brasileira Global Sumud, por sua vez, classificou as ações como “agressão naval e violência contínuas”.

Reações internacionais e preocupação com ajuda humanitária a Gaza

O Itamaraty, em conjunto com os Ministérios das Relações Exteriores de outros nove países, emitiu uma nota na segunda-feira condenando “nos mais fortes termos, os renovados ataques israelenses” à flotilha. O documento repudia os “atos hostis” de Tel Aviv, expressa “séria preocupação com a segurança e integridade dos participantes” e demanda “a liberação imediata de todos os ativistas detidos”.

A nota conjunta, que inclui Bangladesh, Colômbia, Espanha, Indonésia, Jordânia, Líbia, Maldivas, Paquistão e Turquia, além do Brasil, pede uma reação da comunidade internacional e reafirma que os “repetidos ataques contra iniciativas humanitárias pacíficas refletem continuado desrespeito ao direito internacional e à liberdade de navegação”. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, também condenou a intervenção israelense contra os “viajantes da esperança”.

Paralelamente, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra quatro pessoas associadas à flotilha, que foi descrita como “pró-Hamas”. Ativistas pró-palestinos contestam essa classificação, afirmando que Israel e os EUA confundem a defesa dos direitos palestinos com apoio a extremistas. A situação em Gaza continua crítica, com organizações internacionais de ajuda humanitária relatando que os suprimentos ainda são insuficientes para a população, majoritariamente deslocada.

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