Israel Desaloja 1.200 Palestinos em Hebron Após Ataque; Netanyahu Promete “Grande Surpresa”
Cerca de 1.200 palestinos foram deslocados de suas casas em Hebron, na Cisjordânia ocupada, após uma operação militar israelense. A ação, que também incluiu demolições, foi justificada pelas Forças Armadas de Israel como uma resposta a um ataque que matou dois soldados israelenses na sexta-feira (23).
O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou que as Forças Armadas lançariam uma operação de grande escala após o ataque. Ele também declarou que a Autoridade Palestina teria uma “grande surpresa”, sem detalhar se pretendia desmantelá-la.
A Autoridade Palestina criticou veementemente a operação, classificando-a como “punição coletiva” e uma resposta desproporcional. As informações foram divulgadas por um membro do governo em Ramallah no sábado (24).
Operação em Hebron: Buscas por Armas e “Punição Coletiva”
As Forças Armadas israelenses declararam que a operação nos bairros de Al-Jaladah e Ein Deir Baha, próximos ao posto de controle onde os soldados foram mortos, tinha como objetivo principal a busca por militantes e armas. Em comunicado, o exército também informou que realizaria demolições de estruturas.
No entanto, Yousef Zouhair Al-Jabari, chefe da administração municipal de Hebron, relatou que cerca de 1.300 pessoas corriam o risco de perder suas casas, somando-se aos 1.200 já deslocados. Ele acusou Netanyahu e ministros de seu governo de usarem a operação para ganhar votos entre os colonos, visando as eleições parlamentares de terça-feira.
Moradores de Hebron relataram à Reuters que foram expulsos de suas casas sem qualquer ligação com os autores do ataque. “Pedimos às autoridades que nos apoiem, porque não temos envolvimento algum com isso. Há crianças. Vivemos isolados, não fazemos nada. Tudo isso é arbitrário”, disse Majdi Nasser, um dos deslocados.
Bloqueios e Restrições de Movimentação na Cisjordânia
Em toda a Cisjordânia, as forças israelenses implementaram o bloqueio das entradas da maioria das cidades e localidades palestinas, restringindo severamente a liberdade de circulação dos palestinos. Essa medida teve consequências humanitárias graves.
Yousef Mur, morador da cidade palestina de Yatta, relatou que os bloqueios o impediram de levar sua filha a Jerusalém para tratamento contra o câncer. “A situação está ruim e estamos sofrendo. Quando tentamos passar, eles lançaram granadas de efeito moral em nossa direção, e minha filha ficou assustada no caminho”, desabafou Mur.
Contexto Político e Acusações de Apartheid
A operação em Hebron ocorre em um momento de tensão política, com pesquisas indicando que a coalizão de direita de Netanyahu poderia perder a maioria nas próximas eleições. Paralelamente, milhares de pessoas protestaram em Tel Aviv, pedindo um inquérito sobre falhas de segurança que teriam permitido os ataques de 7 de Outubro.
Notícias recentes na imprensa internacional sugerem que Netanyahu foi alertado por governos do Egito e dos Emirados Árabes Unidos sobre um possível ataque do Hamas dias antes. A ONG Clube dos Prisioneiros Palestinos informou que cerca de 70 palestinos foram presos em sexta e sábado, embora autoridades israelenses não tenham comentado as prisões.
Al-Jabari criticou a demolição de lojas, fábricas, casas e estradas em Hebron, qualificando a resposta como desproporcional e injustificada. A prática de demolição de casas de famílias de acusados de ataques, comum em resposta a ações palestinas, e a distinção no tratamento legal entre colonos israelenses e palestinos na Cisjordânia levantam acusações de apartheid por entidades como a Anistia Internacional, alegações que Israel nega, citando preocupações de segurança e nacionalidade.





