Tribunal israelense estende detenção de ativista brasileiro e espanhol-palestino detidos em flotilha rumo a Gaza
Um tribunal israelense prorrogou até domingo (10) a prisão de Thiago Ávila, ativista brasileiro, e Saif Abu Keshek, cidadão espanhol-palestino. Ambos integravam uma flotilha humanitária com destino à Faixa de Gaza. A decisão foi tomada após solicitação da polícia israelense para continuar os interrogatórios.
A advogada Hadeel Abu Salih, do grupo de direitos humanos Adalah, que representa os detidos, classificou a medida como uma tentativa de “criminalizar qualquer solidariedade com o povo palestino e qualquer tentativa de romper o cerco ilegal a Gaza”. A defesa pretende recorrer da decisão em um tribunal distrital.
Esta é a segunda vez que a prisão preventiva dos ativistas é estendida. Anteriormente, no domingo (3), um tribunal já havia autorizado a detenção por mais dois dias. Conforme informações divulgadas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou a decisão israelense e pediu a libertação dos dois ativistas em suas redes sociais.
Ativistas alegam maus-tratos e greve de fome
A advogada dos ativistas relatou que a apresentação dos detidos em um tribunal civil é uma “forma de espalhar medo e fazer os ativistas reconsiderarem sua participação” em futuras ações. A organização Adalah, que atua em defesa dos direitos humanos da minoria árabe em Israel, considera a prisão ilegal e alega que os dois sofreram maus-tratos durante os interrogatórios.
Segundo a ONG, os ativistas foram submetidos a interrogatórios de até oito horas, mantidos em celas com iluminação constante e vendados durante deslocamentos, inclusive para consultas médicas. O governo israelense negou as acusações de maus-tratos.
Os detidos iniciaram uma greve de fome. Em resposta, o tribunal determinou que o serviço penitenciário monitore a condição médica de ambos.
Israel acusa ativistas de ligação com organização terrorista
Documentos judiciais revelam que Israel acusa Thiago Ávila e Saif Abu Keshek de crimes como filiação a organização terrorista e assistência ao terrorismo durante período de guerra, com penas que podem chegar a 20 anos de prisão. O Ministério das Relações Exteriores de Israel alega que os ativistas possuem ligações com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), organização sancionada pelos Estados Unidos por supostamente agir em nome do Hamas.
O governo israelense afirma que Abu Keshek é um membro proeminente da PCPA, enquanto Ávila é suspeito de atividades ilegais e possui conexões com a mesma organização. A flotilha, composta por mais de 50 embarcações, partiu de portos europeus com o objetivo de entregar suprimentos a Gaza e romper o bloqueio israelense.
Espanha e Brasil condenam interceptação e detenção
As forças israelenses interceptaram a flotilha em águas internacionais, próximo à costa da Grécia, na madrugada de quinta-feira (30). Thiago Ávila e Saif Abu Keshek foram detidos junto com outros 175 ativistas, que foram posteriormente libertados na Grécia. A Espanha reiterou o pedido de libertação imediata de Abu Keshek e exigiu que todos os seus direitos sejam respeitados.
Antes da prorrogação da prisão, o Itamaraty e o governo espanhol emitiram uma nota conjunta condenando o que chamaram de “sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais por parte do governo de Israel”. A nota conjunta classificou a ação como “flagrantemente ilegal” e uma “afronta ao direito internacional”.
Os organizadores da flotilha afirmam que a interceptação ocorreu a mais de mil quilômetros de Gaza, descrevendo o ato como uma “armadilha mortal calculada no mar”. Em 2025, uma viagem anterior da mesma flotilha já havia gerado atenção mundial, resultando na prisão e deportação de centenas de ativistas.





