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Jamie Dimon defende guerra no Irã: “O Ocidente demorou 45 anos para reagir à ameaça”

CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, defende intervenção militar no Irã e critica passividade ocidental de longa data.

A atual campanha militar liderada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã tem sido alvo de críticas por sua estratégia incerta e resultados questionáveis. No entanto, para Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, um dos principais nomes de Wall Street, a ação no Oriente Médio pode ter sido uma resposta necessária e, em certa medida, inevitável diante das ações iranianas.

O conflito, que já ultrapassa seu segundo mês, evidenciou a fragilidade dos mercados globais de energia e capitais frente à instabilidade regional. O bloqueio do Estreito de Hormuz pela Guarda Revolucionária do Irã, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás natural comercializados mundialmente, causou disparada nos preços do petróleo e nervosismo nos mercados.

Essa situação, conforme Dimon relatou em entrevista ao Axios, expôs a vulnerabilidade do Ocidente em permitir que um regime hostil controlasse um gargalo logístico crucial. A declaração foi feita após o entrevistador classificar a campanha como uma “guerra de escolha”, ao que Dimon pediu para “voltar um passo”, argumentando que a inação prolongada representava um risco iminente. Conforme reportado pelo Axios, a campanha militar dos EUA e Israel contra o Irã tem sido criticada, mas Dimon questiona a demora ocidental em agir contra as provocações iranianas ao longo das últimas décadas.

Ameaça iraniana e o controle do Estreito de Hormuz

Dimon questionou a tolerância ocidental de “45 anos” em relação às “guerras por procuração” financiadas pelo Irã e ao controle do Estreito de Hormuz. Desde a revolução de 1979, o Irã tem sido um adversário constante para os EUA e Israel, financiando e armando milícias como os houthis no Iêmen, que têm atacado rotas marítimas importantes. O Irã também é acusado de financiar grupos como o Hamas e o Hezbollah e de possuir “células terroristas” em outros países.

Dimon relativiza a narrativa de “guerra de escolha”

Ao ser questionado sobre a campanha militar ser uma “guerra de escolha”, Dimon argumentou que a ausência de uma “ameaça iminente” à segurança nacional, como defendido por alguns, equivale a dizer que “a coisa ruim ainda não aconteceu”. Ele ressaltou que o Irã tem “matado gente ao redor do mundo há mais de 45 anos” e financiado grupos que representam uma ameaça global.

O bloqueio iraniano em Hormuz é comparado às ações dos houthis no Mar Vermelho, que forçaram desvios marítimos e aumentaram custos. Dimon também destacou que o Irã “nunca desistiu” de seu objetivo de obter armas nucleares, apesar das ações americanas e das conversas preliminares sobre o programa nuclear iraniano.

Oportunidade para uma paz duradoura no Oriente Médio

Apesar das críticas internas e externas à condução da guerra por parte do governo Trump, Dimon vê uma oportunidade de alcançar uma “paz permanente no Oriente Médio” caso os objetivos estratégicos sejam alcançados. Ele acredita que o enfraquecimento do Irã e de seus aliados pode reduzir as hostilidades e que o alinhamento de atores regionais importantes, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, com os objetivos dos EUA e Israel aumenta as chances de estabilidade.

Relatos indicam que aliados regionais, como o líder de fato da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, têm pressionado Trump a continuar a campanha no Irã, vendo-a como uma “oportunidade histórica” para redesenhar o equilíbrio de poder. Países como Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Kuwait teriam enviado mensagens semelhantes, defendendo a continuidade da campanha até a substituição da liderança iraniana.

Dimon reconhece os desafios e a volatilidade gerada pela guerra, mas sustenta que o ganho estratégico de longo prazo com um Oriente Médio mais estável pode compensar a turbulência atual. Contudo, a dificuldade em transformar esse objetivo em realidade tem sido um obstáculo significativo para o governo Trump.

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