Justiça colombiana permite uso da camisa da seleção em campanha de Espriella após reviravolta
Uma juíza da Colômbia derrubou uma decisão anterior que proibia Abelardo de la Espriella de usar a camisa da seleção nacional em atos de campanha eleitoral. A medida, que coincidiu com o início da Copa do Mundo no México e ocorreu dez dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, em que o ultradireitista disputa contra Iván Cepeda, aliado de Gustavo Petro, reverteu uma proibição que visava manter a neutralidade dos símbolos nacionais.
A ordem inicial, emitida uma semana antes, atendia a uma solicitação que alegava discriminação e estigmatização pelo uso da camisa por Espriella. A estratégia de campanha do candidato, que consistia no uso da tricolor por seus apoiadores, foi adotada pouco antes do primeiro turno das eleições, gerando debates sobre a apropriação de símbolos nacionais.
A decisão original argumentava que o uso da camisa da seleção criava uma identificação com uma candidatura específica, comprometendo a neutralidade dos símbolos nacionais e conferindo ao item um significado diferente de sua finalidade original. No entanto, a juíza María Isabel Ferrer considerou falacioso o argumento de que o item teria uma única função, apontando para a falta de clareza da proibição e a consequente incerteza jurídica.
Apesar da reviravolta judicial, a proibição inicial teve pouco efeito prático, pois Espriella continuou a utilizar a vestimenta em entrevistas, redes sociais e comícios. Muitos seguidores interpretaram a medida como uma tentativa frustrada de conter a popularidade do candidato, a quem apelidam de “Fenômeno Tigre”, afirmando que ele está “no coração do povo colombiano”.
A polêmica dos símbolos nacionais na campanha
Espriella também ignorou outra decisão da Justiça colombiana, que o obrigava a remover todos os símbolos pátrios de sua campanha, como a bandeira, o escudo nacional e até mesmo a palavra “pátria” de seu slogan “Firmes pela pátria”. Em vez de prejudicar sua comunicação nacionalista, a ordem parece ter fortalecido a mensagem antissistema do candidato.
Em um discurso em Cartagena, Espriella incentivou seus apoiadores a usarem a camisa da seleção e a publicarem vídeos com o slogan, transformando cada ato em um “grito por liberdade” e parte de um “movimento de libertação”. O advogado, que nunca havia participado de uma eleição antes, buscou capitalizar a controvérsia para reforçar sua imagem.
Reação do adversário e da Federação Colombiana de Futebol
A estratégia de Espriella gerou reações em sua campanha adversária. Iván Cepeda acusou Espriella de “roubar” a camisa da seleção colombiana, questionando desde quando o símbolo nacional se tornou patrimônio de uma campanha específica. Cepeda pediu que o candidato “não seja ladrão” e não se aproprie de símbolos nacionais.
Em resposta à polêmica, a Federação Colombiana de Futebol solicitou que a seleção, seus atletas e símbolos sejam mantidos “fora dos debates políticos ou eleitorais”. A organização reiterou apelos públicos para que suas marcas e logotipos não sejam utilizados para fins não esportivos, buscando preservar a neutralidade e o caráter unificador do esporte.
Apropriação reversa e intensificação do debate
A controvérsia, no entanto, tomou um novo rumo. Nos dias seguintes, apoiadores do senador Cepeda também passaram a usar a vestimenta, mas com estampas de ícones de esquerda, e distribuíram adesivos com fotos do candidato. Membros do partido de Cepeda, o Pacto Histórico, incentivaram o uso da camisa como forma de confrontar a candidatura de Espriella.
David Racero, membro da Câmara de Representantes pelo Pacto Histórico, publicou uma foto vestindo a tricolor, afirmando que “a camisa não pertence a nenhuma campanha; muito menos à do candidato que abusa da palavra ‘pátria’ enquanto vive na Itália”. A disputa pelos símbolos nacionais se intensificou, transformando a camisa da seleção em um palco para o embate político.





