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Lena Bergstein: Como a Arte e a Literatura se Tornaram um Portal para a Palestina Após Viagens Frustradas

Artista plástica Lena Bergstein transforma frustração de viagens em obra literária sobre a Palestina

A renomada artista plástica carioca Lena Bergstein, aos 80 anos, encontrou nas páginas de seu novo livro, “Um Diário em Aberto: Palestina”, a forma de explorar um destino que por anos lhe escapou. Após três tentativas frustradas de visitar Jerusalém, a artista decidiu empreender a jornada por meio da imaginação, da pesquisa e da arte.

O livro, divulgado pela Cosac, vai além da ficção tradicional, apresentando-se como um ensaio híbrido. Bergstein entrelaça sua própria trajetória intelectual e pessoal com análises literárias e experimentos visuais, criando uma obra única e multifacetada. O fascínio pela região, que remonta a uma curiosidade quase arqueológica, ganhou novas dimensões durante o período de reclusão.

A obra é fruto de um profundo mergulho no universo palestino, impulsionado pela impossibilidade de viajar. Bergstein dedicou-se à leitura e ao estudo, especialmente durante a pandemia, quando o isolamento a permitiu aprofundar sua pesquisa. Conforme divulgado, o livro mescla referências históricas, filosóficas e literárias, oferecendo um olhar sensível e crítico sobre a Palestina. Essa imersão resultou em um trabalho que desafia classificações, convidando o leitor a uma experiência de descoberta.

O Fascínio pelos Manuscritos e a Descoberta de Edward Said

O interesse de Lena Bergstein pela Palestina nasceu de uma profunda admiração pela história e pelos artefatos da região. “O que eu mais queria era ver os manuscritos do mar Morto”, revela a artista, que em sua carreira explorou por décadas a intrínseca relação entre a palavra e seu suporte material. A vontade de ver como textos antigos foram gravados em diferentes materiais, como papiros, pergaminhos e até folhas de cobre, era um motor para sua investigação artística.

Essa trajetória de pesquisa a levou a parcerias significativas, como a colaboração com o filósofo francês Jacques Derrida nos anos 1990. Em 1998, Bergstein ilustrou o texto “Enlouquecer o Subjétil”, obra que inclusive foi premiada com um Jabuti. Após as frustradas tentativas de viajar a Jerusalém, a artista assistiu a um documentário sobre o intelectual palestino Edward Said, um momento que a

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