Líbano acusa Israel de minar cessar-fogo com explosões perto de sítio histórico
O Líbano, por meio de seu presidente Joseph Aoun, manifestou profunda preocupação e acusou Israel de realizar explosões em áreas próximas ao histórico Castelo de Beaufort, no sul do país. Segundo o governo libanês, essas ações representam uma “ameaça direta” ao acordo de cessar-fogo entre as duas nações e configuram uma “escalada extremamente perigosa”.
As explosões, descritas como “fortes” pela agência estatal libanesa NNA, ocorreram na madrugada de quinta-feira (30), incluindo a região da fortaleza. O Castelo de Beaufort, também conhecido como Qalaat al Shakif, foi capturado pelas forças israelenses em maio, durante a guerra contra o grupo Hezbollah. A UNESCO incluiu o local em sua lista de Patrimônio Mundial em perigo na semana passada.
Aoun classificou a operação como uma “violação clara dos compromissos existentes” e ressaltou que o momento escolhido, às vésperas de novas negociações entre Beirute e Tel Aviv previstas para a próxima semana em Roma, envia “mensagens negativas” e mina os esforços internacionais pela estabilidade. Um jornalista da AFP relatou ter ouvido as explosões e visto uma nuvem de poeira cobrir áreas florestais próximas.
Israel justifica ação como resposta a “túneis terroristas” e violação do Hezbollah
Em resposta às acusações, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmaram em nota conjunta que o Exército destruiu “túneis terroristas na região de Beaufort” utilizando cerca de 700 toneladas de explosivos. Segundo eles, a operação foi uma retaliação a uma “violação flagrante do cessar-fogo” por parte do Hezbollah na quarta-feira (29).
Israel alega que o grupo pró-Irã lançou um drone explosivo contra um veículo militar israelense. No entanto, o Hezbollah não reivindicou a autoria de nenhum ataque contra Israel desde 20 de junho. A situação na fronteira segue tensa, com ambos os lados trocando acusações.
Beaufort: Símbolo estratégico e histórico no conflito Líbano-Israel
O Castelo de Beaufort possui um valor simbólico e estratégico significativo no conflito entre Líbano e Israel. Sua localização privilegiada, sendo o ponto mais elevado na região, permite uma vasta observação do sul do Líbano e do norte de Israel, áreas que historicamente foram palco de lançamentos de ataques contra residências israelenses.
A fortaleza tem um histórico de ocupação israelense. Foi ocupada por Israel por 18 anos, entre 1982 e 2000, tornando-se um marco da invasão israelense no Líbano na época, que visava combater guerrilheiros da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).
Negociações em risco e alertas sobre a instabilidade regional
As recentes explosões perto do Castelo de Beaufort levantam sérias dúvidas sobre o andamento das próximas negociações de paz. A “escalada” descrita pelo presidente libanês pode dificultar a construção de confiança e a busca por uma solução duradoura para o conflito.
A comunidade internacional acompanha de perto os desdobramentos, temendo um agravamento da situação e um novo ciclo de violência na região. A preservação do cessar-fogo e a retomada do diálogo pacífico são cruciais para evitar novas perdas e garantir a segurança de ambos os países.





