Líderes da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte Unidos por Independência e Futuro na União Europeia
Em um movimento político sem precedentes, os líderes da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte declararam publicamente seu apoio à independência de seus respectivos territórios. A declaração conjunta, feita em Cardiff, ressalta o desejo de que suas nações retomem seu lugar dentro da União Europeia.
Os representantes, John Swinney (Escócia), Rhun ap Iorwerth (País de Gales) e Michelle O’Neill (Irlanda do Norte), enfatizaram que suas nações possuem o direito à autodeterminação. Eles criticaram veementemente a possibilidade de o governo central em Westminster impor obstáculos à democracia e às aspirações de seus povos.
Essa articulação histórica representa um desafio direto a Londres, com os três partidos independentistas – o PNE, o Plaid Cymru e o Sinn Féin – buscando caminhos distintos, mas com um objetivo comum: a separação do Reino Unido e a reintegração ao bloco europeu. Conforme informação divulgada pelos próprios líderes, “pela primeira vez na história, a população de todas estas ilhas tem primeiros-ministros na Escócia, no País de Gales e na Irlanda do Norte comprometidos com a independência em relação ao Reino Unido”.
Descentralização e Autonomia Regional sob Tensão
O Reino Unido, composto por Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, opera sob um sistema onde Londres detém o controle central. Desde o final dos anos 1990, as três nações autônomas possuem governos e Parlamentos próprios, frutos de um processo de descentralização. No entanto, essa autonomia é limitada em áreas como política externa e defesa, que permanecem sob a alçada do governo britânico.
Os líderes regionais comandam administrações com autonomia em setores cruciais como saúde, educação e transporte. Contudo, a declaração conjunta, realizada na qualidade de dirigentes partidários e não governamentais, sinaliza um desejo de ir além da atual estrutura de poder, buscando maior soberania.
O Chamado pela União Europeia e o Fim da Era Westminster
Um ponto central na manifestação dos líderes foi o futuro de suas nações na União Europeia. “O futuro de nossas nações está na União Europeia”, afirmaram categoricamente. A mensagem enviada ao mundo é clara: “para aqueles que nos observam em todas estas ilhas, para aqueles que nos observam em todo o mundo, não pode haver sinal mais claro de que o tempo de Westminster está chegando ao fim”.
Os líderes expressaram a crença de que “mudanças constitucionais estão por vir” e comprometeram-se a reforçar a cooperação entre seus partidos para identificar áreas de ação conjunta que possam gerar impacto real. Rhun ap Iorwerth, do País de Gales, declarou preferir “deixar a questão do cronograma nas mãos do povo galês”, mas ressaltou que “Westminster não está funcionando”.
Contexto Político e Referendos Anteriores
A declaração surge em um momento de crescente instabilidade política no Reino Unido, com sete mudanças de primeiro-ministro desde o referendo do Brexit em 2016. A reunião também ocorre dias após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter manifestado apoio a uma Irlanda unificada, apesar de o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, ter descartado a realização de uma votação sobre o tema na Irlanda do Norte.
A Escócia já realizou um referendo em 2014, onde a maioria votou pela permanência no Reino Unido. No entanto, a ascensão de partidos independentistas como maiores forças no Parlamento escocês e galês, e o Sinn Féin como maior partido na Assembleia da Irlanda do Norte desde 2022, indicam uma mudança no cenário político. A questão da autodeterminação, especialmente com a possibilidade de um referendo na Irlanda do Norte, conforme os Acordos da Sexta-feira Santa de 1998, ganha força.





