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Lito Sousa: Por Que o Câncer de Próstata Pode Ser Descoberto Mesmo com Exames Regulares? Entenda o Processo

O diagnóstico de Lito Sousa levanta um alerta importante sobre o rastreamento do câncer de próstata: é possível descobrir a doença mesmo com acompanhamento médico frequente?

O influenciador Lito Sousa, de 59 anos, descobriu um adenocarcinoma de próstata mesmo realizando exames de rotina regularmente. A confirmação veio após alterações no PSA, o que o levou a uma investigação mais aprofundada, culminando na indicação de cirurgia, já que a doença está restrita à glândula. Sua experiência, compartilhada nas redes sociais, reacende um debate crucial sobre a eficácia dos exames preventivos e a complexidade do diagnóstico precoce.

A situação de Lito demonstra que, mesmo com cuidados médicos constantes, incluindo o toque retal, a detecção definitiva do câncer de próstata pode exigir etapas adicionais. Isso não significa que os exames falharam, mas sim que o processo de rastreamento é, na verdade, uma investigação em fases, onde cada etapa fornece informações valiosas para a tomada de decisão.

A jornada de Lito Sousa serve como um exemplo prático de que o rastreamento do câncer de próstata é um processo contínuo e que a confirmação da doença pode ocorrer em diferentes momentos. Conforme a explicação de especialistas ao g1, o PSA pode levantar uma suspeita inicial, o toque retal adiciona dados cruciais, a ressonância magnética ajuda a localizar áreas suspeitas e a biópsia é o exame que traz a confirmação final, mostrando que um acompanhamento regular é fundamental para a saúde masculina.

PSA: Um Alerta Inicial, Mas Não Definitivo

O exame de sangue para medir o Antígeno Prostático Específico (PSA) é a porta de entrada mais conhecida para o rastreamento do câncer de próstata. Níveis elevados de PSA podem indicar a necessidade de investigação, mas é fundamental entender que o aumento dessa proteína não é sinônimo de tumor.

Inflamações na próstata, o crescimento benigno da glândula (hiperplasia prostática benigna) e até mesmo atividades físicas recentes podem elevar temporariamente os níveis de PSA. Da mesma forma, alguns tumores em estágio inicial podem apresentar alterações discretas, dificultando a detecção apenas por este marcador.

Por essa razão, o resultado do PSA nunca deve ser interpretado isoladamente. Especialistas ressaltam que ele é uma ferramenta importante, mas faz parte de um conjunto de informações que inclui a idade do paciente, histórico familiar, o exame físico e, quando necessário, exames de imagem. No caso de Lito, foi justamente uma alteração no PSA que motivou os médicos a aprofundarem a investigação.

O Toque Retal: Essencial e Ainda Cercado de Tabus

O toque retal, apesar de ainda ser um exame cercado de tabus para muitos homens, continua sendo uma das principais ferramentas para o urologista. Ele permite a avaliação direta da próstata, possibilitando a identificação de endurecimentos, nódulos ou alterações na consistência da glândula, que podem não ser detectados pelo exame de PSA.

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) reforça que a exclusão de qualquer um desses exames, seja o PSA ou o toque retal, diminui significativamente a capacidade de identificar tumores em seus estágios iniciais, quando as chances de cura são maiores.

Ressonância Magnética e Biópsia: Os Passos para a Confirmação

Quando o PSA, o toque retal ou o histórico familiar do paciente levantam suspeitas, a ressonância magnética multiparamétrica da próstata geralmente é o próximo passo. Este exame de imagem detalhado ajuda o médico a identificar áreas com maior probabilidade de conter um tumor, orientando de forma mais precisa a realização da biópsia.

A confirmação definitiva do câncer de próstata, no entanto, só ocorre com a análise microscópica de pequenos fragmentos de tecido retirados da glândula durante a biópsia. Foi por meio deste procedimento que os médicos identificaram em Lito Sousa um adenocarcinoma de agressividade intermediária, o tipo mais comum da doença.

Entendendo o Câncer de Próstata: Estatísticas e Prevenção

O câncer de próstata é o tipo mais comum entre os homens brasileiros, excluindo o câncer de pele não melanoma. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 71,7 mil novos casos são diagnosticados anualmente no Brasil. Em 2024, a doença foi responsável por 17.587 mortes, o que equivale a uma média de 48 óbitos por dia, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Urologia.

Parte dessas fatalidades ocorre porque muitos tumores continuam sendo descobertos tardiamente, quando já se manifestam com sintomas como dificuldade para urinar, sangue na urina, dor óssea ou perda de peso. Nesses estágios avançados, a doença frequentemente já se espalhou para além dos limites da próstata.

A recomendação para homens com histórico familiar de câncer de próstata, mama ou colorretal é iniciar a conversa sobre rastreamento com um urologista por volta dos 40 anos. Para aqueles sem fatores de risco conhecidos, essa discussão geralmente começa aos 45 anos. A decisão sobre quais exames realizar e com que frequência deve ser individualizada, levando em consideração a idade, o histórico familiar, a expectativa de vida e as condições gerais de saúde de cada indivíduo.

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