Álbum “Brutal Paraíso” de Luísa Sonza é alvo de críticas por excessos e falta de unidade
O lançamento do quinto álbum de estúdio de Luísa Sonza, “Brutal Paraíso”, gerou grande repercussão no pop brasileiro. No entanto, a obra, disponibilizada na última terça-feira, 7 de abril, foi recebida com ressalvas pela crítica e parte dos fãs da artista.
Com 23 faixas e 67 minutos de duração, o álbum é considerado longo para a geração atual, acostumada a conteúdos mais concisos. A **longa duração e o excesso de informações** parecem ter diluído o impacto do disco, que, apesar de não ser desagradável, falha em encantar.
Conforme aponta uma análise especializada, o excesso se manifesta não apenas na quantidade de músicas, mas também na **divulgação exagerada** e na profusão de referências musicais e culturais presentes no repertório. Essas citações transitam entre a bossa nova, o funk, o rock e até mesmo obras literárias, como a menção a Nelson Rodrigues.
Um conceito difuso entre o paraíso e a brutalidade
A pretensão de criar um álbum conceitual, segundo a crítica, resultou em um trabalho difuso e de conceito confuso. A própria introdução do disco, com a vinheta “Distrópico”, já sugere um jogo de palavras entre o distópico e o trópico, indicando a busca por um universo autoral complexo.
Em sua essência, “Brutal Paraíso” se debate entre a bossa nova, remetendo ao álbum anterior “Bossa Sempre Nova”, e o funk. Contudo, a artista não estabelece uma clara dicotomia entre esses gêneros, como se a bossa representasse um paraíso perdido e o funk a brutalidade do mundo atual. O título de uma das faixas mais bossa nova, “Amor, que pena!”, já evidencia esse paradoxo.
A estrutura do álbum parte da bossa nova, perceptível em faixas como “E agora?”, que mescla batidas eletrônicas e a participação do rapper Xamã, e evolui para o funk com forte teor erótico em músicas como “Tropical Paradise” e “Safada”, esta última com a participação da porto-riquenha Young Miko.
Colaborações internacionais e a perda do foco
As colaborações com artistas internacionais, como Young Miko e o colombiano Sebastián Yatra em “Tu Gata”, deslocam o álbum para o universo do pop latino contemporâneo. Essa **falta de foco mais bem definido**, semelhante ao que ocorreu com Anitta em seu álbum “Kisses”, contribui para a dissipação da unidade de “Brutal Paraíso”, conforme observado em análises musicais.
Torna-se difícil encontrar uma conexão musical clara entre faixas com pegada funk e baladas melódicas como “Quando”, na qual Sonza busca aconchego. A única ponte possível, segundo a crítica, reside na frase da música: “O amor é sagrado, é profano”, que encapsula a dualidade presente no álbum.
Menos é mais: a sensação final do “Brutal Paraíso”
Ao final da audição, especialmente com a faixa-título de oito minutos, a sensação predominante é que “Brutal Paraíso” poderia ter sido mais coeso com uma seleção mais enxuta de faixas. A artista parece ter ignorado o princípio de que, por vezes, menos é mais, resultando em um trabalho que oscila entre o sonho de um paraíso idealizado e a dura realidade da vida.





