The Economist levanta o questionamento sobre a capacidade de Lula reverter o quadro eleitoral no segundo turno, após ficar atrás de Bolsonaro no primeiro.
A revista britânica The Economist publicou uma análise que descreve o segundo turno das eleições brasileiras como possivelmente o mais disputado desde a redemocratização do país. O título da reportagem, que gerou grande repercussão, questiona se Lula, agora considerado um “azarão”, ainda detém uma “última carta na manga” para virar o jogo.
Historicamente, nenhum candidato que perdeu o primeiro turno conseguiu vencer a eleição na segunda votação. No entanto, a publicação destaca que Lula “se recusa a ser derrotado”, mesmo tendo ficado em desvantagem para Flávio Bolsonaro (PL) na votação inicial. As pesquisas de intenção de voto para o segundo turno, compiladas pelo Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, indicam uma disputa acirrada, com Bolsonaro ligeiramente à frente.
A Economist se pergunta: “Será que ele consegue, agora, protagonizar uma reviravolta?”. A reportagem detalha as “medidas drásticas” adotadas por Lula desde o resultado “desastroso” do primeiro turno. Entre elas, estão o apoio à redução da maioridade penal para crimes graves, pressão para o fim da escala 6×1 no trabalho e promessas como o perdão de dívidas para pequenas empresas e transporte público gratuito nos finais de semana.
Medidas de Lula e a Reação de Bolsonaro
Além das ações mencionadas, a revista lembra que o governo Lula já havia reajustado o valor do Bolsa Família e proibido apostas esportivas. A Economist aponta que pesquisas de opinião sugerem que essas medidas estão surtindo algum efeito, mas ressalta a dificuldade dos institutos de pesquisa em captar com precisão o sentimento da direita, conforme observado antes do primeiro turno, quando as projeções indicavam uma vantagem maior para Lula.
Em resposta às movimentações de Lula, Flávio Bolsonaro também tem adotado estratégias. A revista cita que Bolsonaro votou a favor da redução da jornada de trabalho, algo que antes criticava. Em um debate, ele alegou que a criminalidade disparou durante o terceiro mandato de Lula, o que, segundo a reportagem, não é verdade, pois ela caiu. Além disso, três dos quatro candidatos de direita eliminados no primeiro turno declararam apoio a Bolsonaro.
Aposta na Campanha Online e a Probabilidade de Vitória
A consultoria especializada em previsões eleitorais Le Millénaire, com sede em Paris, estima em 82% a probabilidade de vitória de Flávio Bolsonaro, apesar das pesquisas indicarem uma disputa mais equilibrada. A Economist também chama a atenção para a diferença nos gastos de campanha em impulsionamento online. A campanha de Bolsonaro investiu significativamente mais, cerca de US$ 2 milhões (aproximadamente R$ 10 milhões), para promover seu conteúdo na internet.
Em contraste, a campanha de Lula gastou pouco menos de US$ 500 mil (cerca de R$ 2,5 milhões), embora tenha distribuído uma grande quantidade de adesivos. Com os dias finais de campanha, a revista sugere que a equipe de Lula espera que os métodos tradicionais de comunicação ainda se mostrem eficazes para reverter o cenário.
O Cenário Eleitoral e a Opinião Internacional
A análise da The Economist sublinha a imprevisibilidade do segundo turno, comparando-o a uma partida onde o resultado é incerto. A publicação detalha as estratégias de ambos os candidatos, evidenciando a busca por votos em setores específicos e a polarização que marca a disputa. A forma como Lula, o “azarão”, tentará usar sua “última carta na manga” é o ponto central da discussão.
A revista também aborda a importância da comunicação digital e o investimento em redes sociais, onde Bolsonaro parece ter levado vantagem no primeiro turno. A corrida eleitoral se intensifica, com ambos os candidatos buscando consolidar suas bases e atrair eleitores indecisos. A opinião da The Economist reflete a complexidade e a tensão do momento político brasileiro.





