Mãe condenada por envenenar marido e publicar livro infantil sobre sua morte.
Uma mãe de três filhos, Kouri Richins, foi sentenciada à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional nos Estados Unidos. Ela foi considerada culpada de assassinar o próprio marido, Eric Richins, em 2022, envenenando-o com uma bebida misturada com fentanil.
O crime chocou o país não apenas pela brutalidade, mas também porque, dois meses antes de ser presa, Richins publicou um livro infantil intitulado “Are You With Me?” (“Você está comigo?”), que abordava o tema do luto e da perda.
Segundo os promotores, Kouri Richins acumulava dívidas milionárias, possuía apólices de seguro de vida em nome do marido e mantinha um caso extraconjugal. A sentença foi proferida no dia em que Eric Richins completaria 44 anos, com o juiz Richard Mrazi declarando: “Uma pessoa condenada por esses atos é simplesmente perigosa demais para voltar a ser livre”. As informações foram divulgadas pela CBS News, emissora parceira da BBC nos EUA.
Motivação financeira e caso extraconjugal como pano de fundo
Durante o julgamento, que durou semanas, a promotoria argumentou que Kouri Richins agiu por interesse financeiro, acreditando que herdaria o patrimônio do marido, avaliado em mais de US$ 4 milhões, cerca de R$ 20 milhões. Além disso, ela planejava um futuro com um amante.
Richins também foi considerada culpada de fraude ao tentar receber benefícios de seguro de vida após a morte do marido. A promotoria apresentou evidências de que ela tentou envenenar o marido anteriormente, colocando veneno em um sanduíche dele.
O livro infantil e a dedicação ao marido assassinado
A publicação do livro infantil “Are You With Me?” ocorreu em janeiro de 2023, um mês antes de sua prisão. Richins afirmou que a obra foi criada para auxiliar pessoas, incluindo seus próprios filhos, a lidarem com a morte de entes queridos.
Em entrevista à rádio KPCW, antes de ser presa, ela declarou: “Escrevemos este livro e realmente esperamos que ele traga algum conforto, não apenas para nossa família, mas para outras famílias que estão passando pela mesma situação”. O livro foi dedicado a Eric, descrito por ela como “marido incrível e um pai maravilhoso”.
O plano de envenenamento e a descoberta da morte
A investigação apontou que Richins buscou ativamente substâncias letais. Documentos judiciais revelam que, entre dezembro de 2021 e fevereiro de 2022, ela enviou mensagens a um traficante de drogas pedindo analgésicos prescritos.
Após não conseguir o efeito desejado com hidrocodona, ela teria pedido a um contato “o negócio do Michael Jackson”, referindo-se, segundo a promotoria, ao fentanil, um opioide extremamente potente. Eric Richins morreu em março de 2022, com uma dose de fentanil no corpo cinco vezes maior do que o suficiente para matar um ser humano.
O julgamento e a defesa sem testemunhas
O julgamento de Kouri Richins durou cerca de três semanas em março de 2026. A promotoria apresentou mais de 40 testemunhas, incluindo uma faxineira que confessou ter vendido as drogas para Richins. A defesa optou por não apresentar testemunhas, e Richins não depôs em sua própria defesa.
Os advogados de defesa argumentaram a falta de provas suficientes, alegando que nenhuma droga foi encontrada no quarto onde Eric morreu e que os utensílios usados para preparar a bebida nunca foram testados. A certidão de óbito inicialmente listava a causa da morte como desconhecida. A sentença, anunciada em maio, foi a mais dura possível, com a Justiça optando pela prisão perpétua.





