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Mao Tsé-tung: O “Mestre” que Fascina Jovens Chineses 50 Anos Após Sua Morte. Entenda o Fenômeno!

O Fascínio Inesperado por Mao Tsé-tung entre Jovens Chineses: Uma Análise Profunda

Cinquenta anos após sua morte, em 9 de setembro de 1976, Mao Tsé-tung, o icônico líder da Revolução Chinesa, vive um inesperado ressurgimento entre a juventude chinesa. Longe de ser apenas uma figura histórica, ele é hoje chamado de “Mestre” ou “Professor” em plataformas online como o Bilibili, onde vídeos compilando suas aparições atraem milhões de visualizações e comentários elogiosos.

Essa nova admiração, no entanto, difere da narrativa oficial e da memória de gerações anteriores. Enquanto o Partido Comunista Chinês formalmente avalia Mao como “70% conquistas, 30% erros”, os jovens de hoje parecem encontrar em sua figura uma conexão com desafios contemporâneos, como a desigualdade social e a busca por identidade em um país em constante transformação.

A BBC News, em uma reportagem que explora esse fenômeno, aponta que esse interesse não se trata apenas de nostalgia. Ele reflete uma busca por respostas e uma linguagem acessível para compreender as complexidades da vida moderna. Conforme apurado pela BBC, essa tendência se manifesta em comunidades online e até mesmo na preferência de leitura em universidades de prestígio.

Um Mao Diferente para uma Nova Geração

A imagem de Mao Tsé-tung que emerge nas redes sociais é frequentemente a de um líder carismático e visionário, desvinculada das polêmicas campanhas como o Grande Salto Adiante e a Revolução Cultural. O estudante Dong, de Nanjing, compartilha sua emoção ao ver vídeos de jovens cantando em frente a estátuas do líder, descrevendo a experiência como “bastante emocionante”.

Essa atração por uma versão idealizada de Mao é alimentada por um ambiente online onde discussões sobre política, conhecidas como “círculo polí­tico de teclado”, são comuns. O livro “Obras Selecionadas de Mao Tsé-tung”, por exemplo, tornou-se a obra mais emprestada na Biblioteca da Universidade de Tsinghua a partir de 2019, evidenciando um interesse acadêmico e pessoal crescente.

O título “Professor”, frequentemente atribuído a Mao, tem origem em uma declaração do próprio líder em 1970, quando ele expressou preferência por esse título em detrimento de outros slogans políticos. Essa escolha ressoa com os jovens que buscam em seus escritos uma forma de entender o mundo, como relata Dong: “Ele deixa claro quem é o opressor e quem é o oprimido. Essa estrutura simples é mais fácil de entender do que o jargão econômico.”

Descontentamento Social e a Busca por Respostas em Mao

Especialistas como Florian Schneider, professor da Universidade de Leiden, sugerem que o renovado interesse por Mao está ligado à percepção de desigualdade de riqueza e à diminuição da mobilidade social enfrentada pela juventude chinesa. Ao contrário de seus pais, que vivenciaram o boom econômico, muitos jovens hoje se sentem deixados para trás pelas reformas.

O aumento da taxa de desemprego urbano para jovens, que atingiu 17,9% em julho de 2026, e a adoção de termos como “996” (trabalho das 9h às 21h, seis dias por semana) e “ficar deitado” (passividade diante da “involução” – trabalhar mais para se manter no mesmo lugar) refletem um cenário de incerteza e insatisfação.

Nesse contexto, as críticas de Mao ao capitalismo e sua linguagem direta, que categoriza opressores e oprimidos, encontram eco. Schneider observa que alguns jovens utilizam as ideias de Mao para expressar descontentamento com o que percebem como “a captura do Estado pelo capital”, enquanto outros veem seus escritos como um guia para lidar com as contradições da vida. A busca por uma linguagem clara e direta, como a de Mao, oferece um contraponto ao “jargão econômico” e às complexidades do sistema atual.

Energia Política e o Legado de Mao

A avaliação oficial do Partido Comunista Chinês sobre Mao Tsé-tung, baseada na resolução de 1981, ainda o posiciona como figura central para o “grande rejuvenescimento da nação chinesa”. Sua revolução é vista como o momento em que a China “se ergueu”, estabelecendo sua independência e as bases para o desenvolvimento futuro.

Essa narrativa oficial, reforçada pelas políticas educacionais, pode ter contribuído para a criação de uma imagem de Mao como um herói inquestionável para muitos jovens. Schneider alerta que essa admiração popular, embora possa parecer apenas uma tendência cultural, carrega uma “energia política potencialmente explosiva”, com um caráter “claramente populista”.

Essa “febre Mao”, nascida “de baixo para cima”, pode ir além da cultura da internet e se transformar em uma força política mais duradoura. Controlar esses sentimentos populistas, segundo Schneider, é extremamente difícil, comparando-os a outras expressões de nacionalismo na China. O futuro dirá se essa admiração se limitará ao online ou se moldará identidades políticas mais sólidas.

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