María Corina Machado expõe corrupção e critica acordos de Trump na Venezuela, prometendo um futuro democrático
A líder da oposição venezuelana no exílio, María Corina Machado, rompeu o silêncio em uma entrevista exclusiva, direcionando fortes acusações de “corrupção escandalosa” contra Alejandro Betancourt, empresário recém-parceiro de Washington na indústria petrolífera da Venezuela. Machado declarou que Betancourt não seria um parceiro de negócios viável caso ela assuma o poder, marcando a primeira vez que se pronuncia publicamente sobre o empresário.
A fala de Machado surge em um contexto onde Betancourt, alvo de investigações por corrupção, firmou um lucrativo acordo com o governo Trump para controlar uma parcela significativa das reservas petrolíferas venezuelanas. Este pacto o colocou no centro da estratégia de Washington para o país, gerando críticas sobre a abordagem da administração Trump.
A líder opositora, que há meses tem sido mantida à distância pelo governo dos Estados Unidos, criticou a preferência dada a figuras como Delcy Rodríguez e a realização de acordos a portas fechadas com indivíduos controversos como Betancourt. Conforme revelado por um auditor independente do setor de energia venezuelano, Betancourt teria acumulado fortuna através de contratos sem licitação e superfaturamento de entidades estatais. As informações foram divulgadas em entrevista concedida no Panamá, onde Machado está hospedada temporariamente, e foram divulgadas pelo jornal The New York Times.
A exclusão de Machado das negociações e a postura dos EUA
Machado expressou frustração por não ter sido incluída nas negociações em andamento em Caracas entre o regime venezuelano e um grupo opositor distinto do seu. Ela se esquivou de comentar sobre sua relação com o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a quem conhece há anos. Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que o partido de Machado foi convidado para participar das negociações, mas ressaltou que os EUA não facilitam o retorno de figuras da oposição, garantindo o direito de Machado de retornar ao seu país quando desejar.
Um funcionário do governo, que pediu anonimato, informou que a empresa de Betancourt foi escolhida por seu histórico de sucesso e que o acordo estará sujeito a auditorias rigorosas. Representantes de Betancourt e de Delcy Rodríguez não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. Sara Chouraqui, porta-voz de Betancourt, afirmou que o empresário nunca foi acusado de crime em nenhuma jurisdição.
Promessas de retorno e planos para o futuro
Presa no exterior, Machado se comprometeu a retornar à Venezuela “mais cedo do que vocês imaginam” e a mobilizar apoiadores para futuras votações. Uma pesquisa recente da Bloomberg News indicou que 52% dos entrevistados apoiariam Machado em uma eleição presidencial, contra 19% para Delcy Rodríguez. Machado acredita que o governo Trump, no fim das contas, deseja a democracia para a Venezuela.
Ela declarou que, caso vença uma eleição, os contratos e acordos firmados que estejam alinhados com as leis venezuelanas serão respeitados. Contudo, reiterou que Betancourt não é um parceiro sério, tendo lucrado com contratos de energia sem resolver os problemas da rede elétrica nacional, o que a levou a chamá-lo de “um dos principais responsáveis pelo que nosso povo está sofrendo agora”.
O destino do regime de Delcy Rodríguez e a luta pela democracia
Questionada sobre o destino de Delcy Rodríguez, cujo regime é acusado pela ONU e promotores federais de graves violações de direitos humanos, Machado foi categórica: “Em nossa Constituição e nos tratados internacionais, existem crimes que não estão sujeitos a anistia nem perdão”. Ela não especificou se Delcy poderia ser presa.
A trajetória de Machado inclui uma vitória em eleição primária há três anos, mobilizando milhões de venezuelanos. Após a eleição presidencial de 2024, onde o candidato apoiado por ela teria vencido segundo apurações, o presidente Nicolás Maduro reivindicou a vitória, resultando em protestos, prisões e mortes. Machado viveu na clandestinidade na Venezuela por mais de um ano, mudando de local 14 vezes para evitar a captura.
Sua fuga da Venezuela de barco para comparecer a uma cerimônia do Prêmio Nobel da Paz, onde se feriu, e a subsequente entrega do prêmio a Trump, que a via como representante de estabilidade, marcaram um ponto de virada. A administração Trump chegou a enviar forças dos EUA para capturar Maduro em 3 de janeiro, mas Trump, posteriormente, declarou que Machado não possuía apoio suficiente, indicando Delcy Rodríguez como líder interina, o que assegurou a continuidade do regime chavista.
Machado compreende a lógica de ir devagar na transição, mas acredita que isso poderia ter sido feito sem a participação de Delcy Rodríguez, que faz parte do sistema criminoso. Ela ressalta que, no momento, é do interesse do povo venezuelano que o plano atual dê certo. Machado se encontra em uma posição delicada, buscando manter o bom relacionamento com o governo Trump ao mesmo tempo que demonstra aos seus apoiadores que seus interesses são prioridade e que ela continua sendo uma figura importante no debate político.
A crítica a Betancourt pode impactar as chances de Trump em ajudar Machado, mas pode ser estrategicamente benéfica em nível nacional. Machado concluiu a entrevista com uma mensagem de esperança: “A Venezuela será livre. Vamos trazer nossos filhos de volta para casa. Vamos construir instituições democráticas que vão durar por muitas gerações. Teremos mercados abertos, que vão oferecer condições sem igual para investimentos internacionais e vão transformar nossa nação em uma fonte de estabilidade para a região inteira. Isso vai se concretizar.”





