Remédios para emagrecer viram motor de economia criativa: alfaiates e brechós nos EUA se adaptam à nova realidade de corpos em mudança.
A popularização de medicamentos para perda de peso, como Ozempic e Mounjaro, está gerando um efeito cascata inesperado nos Estados Unidos. Milhões de americanos que buscam emagrecer rapidamente com essas substâncias se deparam com um guarda-roupa que não acompanha a nova silhueta.
Essa transformação corporal tem impulsionado um nicho de mercado pouco explorado: o de ajustes de roupas e calçados. Alfaiates, sapateiros e brechós relatam um aumento expressivo na demanda por seus serviços, à medida que os consumidores buscam alternativas econômicas para adaptar suas peças.
A tendência, impulsionada pelo alto custo de vida e pela redução na cobertura de planos de saúde para esses medicamentos, reflete uma mudança no comportamento do consumidor. Conforme informações divulgadas por diversas fontes do setor, essa nova realidade está moldando o varejo e criando oportunidades para quem souber se adaptar.
O “Belt-Zempic”: Cintos e Calçados se Tornam Protagonistas da Adaptação
Lorraine Scott, por exemplo, gastou cerca de US$ 300 para ajustar calças e jeans após perder aproximadamente 27 kg com medicamentos para emagrecer. Ela optou por reformar suas peças favoritas em vez de comprar novas, uma estratégia adotada por muitos que veem a perda de peso como um processo contínuo.
A empresa Cobblers Direct, que oferece serviços de reparo de calçados e bolsas, viu seu negócio de encurtamento de cintos crescer significativamente. O CEO Stephen Kelly relata que a empresa chega a ajustar até 500 cintos semanalmente. Alguns clientes, em um gesto simbólico, guardam a sobra do material como uma “medalha de honra” para celebrar suas conquistas.
Na Jim’s Cobbler Concierge, em Manhattan, a tendência é tão forte que o ajuste de cintos foi apelidado de “belt-zempic”. Além dos cintos, os profissionais notam um aumento na procura por ajustes em calçados, pois os pés também diminuem de tamanho com a perda de peso.
80% dos Usuários de Remédios para Emagrecer Usam Roupas que Não Servem Mais
Uma pesquisa realizada pela plataforma de telemedicina Trimi revelou que cerca de 80% dos usuários de medicamentos para perda de peso continuam usando roupas que já não lhes servem. Em média, essas pessoas esperam seis meses antes de adquirir novas peças, buscando economizar diante da incerteza de manter o peso perdido.
O jeans é a peça de vestuário mais afetada, com 90% dos usuários reclamando que as calças não vestem mais adequadamente. Essa relutância em investir em um guarda-roupa totalmente novo é reforçada por estudos, como o da Universidade de Cambridge, que indica que as pessoas recuperam, em média, 60% do peso perdido em um ano após interromper o uso dos medicamentos.
Brechós e Plataformas de Segunda Mão Ganham Espaço
A busca por economia e a necessidade de adaptação impulsionam também o mercado de roupas de segunda mão. Plataformas como ThredUp e Stitch Fix observam um aumento na demanda por peças menores e com tecidos mais flexíveis.
Alon Rotem, diretor de estratégia da ThredUp, destaca que a escala e a velocidade com que os consumidores estão migrando para tamanhos menores é um diferencial. Cerca de 43% dos compradores que antes usavam calças com cintura acima do tamanho 28 agora buscam jeans menores.
O Stitch Fix, por sua vez, tem oferecido mais opções de tamanhos ajustáveis e tecidos elásticos para auxiliar pessoas em processo de perda de peso. Estima-se que pelo menos 20% dos novos clientes da empresa utilizem medicamentos para emagrecer e buscam ajuda para encontrar o vestuário adequado durante essa transição.





