EUA Ampliam Ações Contra Narcotráfico no Equador com Operações Conjuntas em Esmeraldas
O Equador tem recebido a presença de militares dos Estados Unidos em operações conjuntas focadas no combate ao narcotráfico, especialmente na província de Esmeraldas, situada próximo à fronteira com a Colômbia. Essa colaboração, que já se estende por meses, visa enfrentar a escalada da violência e o avanço de grupos criminosos no país sul-americano.
O governador de Esmeraldas, Juan Jaramillo, confirmou a atuação de tropas americanas na região. Ele mencionou que este é o sétimo grupo do Exército dos Estados Unidos a trabalhar em conjunto na luta contra o que ele denominou de narcoterrorismo. No entanto, Jaramillo não especificou o número exato de militares americanos envolvidos nem a data de início das operações, citando o sigilo como fator determinante.
Essas ações fazem parte de um acordo mais amplo, o Escudo das Américas, uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, que reúne aproximadamente 20 nações da América Latina e Caribe. A iniciativa, promovida pelo ex-presidente americano Donald Trump, tem como objetivo central a cooperação regional no combate às organizações de narcotráfico que operam no continente.
Reforço Militar e Nova Legislação para Combater o Crime Organizado
O ministro da Defesa equatoriano, Gian Carlo Loffredo, anunciou a chegada de reforços significativos para intensificar o controle nas áreas costeiras. Dois navios de guerra e três helicópteros Black Hawk americanos foram deslocados para monitorar pontos estratégicos no litoral e em cidades como Manta, conhecida pela sua vulnerabilidade à violência. Loffredo declarou que essa medida visa triplicar a capacidade de interdição nas zonas marítimas do país.
O presidente Daniel Noboa, desde que assumiu o cargo em 2023, tem implementado uma política de linha-dura para tentar conter a criminalidade. Apesar dos esforços, o Equador registrou um índice recorde de 52 homicídios por 100.000 habitantes no ano passado, demonstrando a persistência do desafio. Para facilitar as operações conjuntas, o governo equatoriano publicou um decreto que permite a permanência de militares americanos em território nacional por até 180 dias, sem a necessidade de visto e concedendo-lhes imunidade migratória.
Contexto Histórico e Preocupações com Direitos Humanos
As operações militares conjuntas ocorrem em um contexto de crescente preocupação com o narcotráfico, que utiliza os portos do Pacífico equatoriano para exportar drogas para os Estados Unidos e Europa. A província de Esmeraldas, em particular, tem sido palco de assassinatos, sequestros e extorsões atribuídos a grupos criminosos. O Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, já havia sinalizado, em 13 de junho, que as Forças Armadas americanas estavam se preparando para realizar operações em países aliados na América Latina.
É importante notar que, em um referendo realizado em 2025, a população equatoriana votou contra a instalação de bases militares americanas no país. Além disso, organizações como a Human Rights Watch e veículos de comunicação internacionais relataram incidentes de bombardeios contra barcos de pesca no Equador, que resultaram em desaparecimentos, levantando questionamentos sobre a atuação dos EUA. O Departamento de Estado americano, em comunicado divulgado na quinta-feira, informou sobre a apreensão de dez barcos de pesca equatorianos por tráfico de drogas e anunciou sanções contra 15 membros de uma rede de narcotráfico local.





