Ministro do Trabalho critica falta de mobilização sindical e se opõe a compensações para empresários em pauta trabalhista.
O Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, admitiu que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa acabar com a escala 6×1 pode não avançar neste ano, ficando “adormecida nas gavetas”. Segundo ele, a **falta de mobilização de sindicatos e trabalhadores** é um dos principais entraves para que projetos do governo prosperem.
“Por que os trabalhadores não se mobilizaram? Se as centrais [sindicais] não conseguiram organizar um processo de pressão suficiente, não é responsabilidade do governo sozinho”, declarou Marinho em entrevista, ressaltando que a **pressão popular é fundamental** para a aprovação de pautas importantes.
A PEC sobre a escala 6×1 foi encaminhada para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, com o governo buscando sua votação em setembro, antes das eleições. O Planalto articula para que um aliado de Lula assuma a relatoria, a fim de **evitar alterações no texto aprovado na Câmara**, o que inviabilizaria sua aprovação ainda neste mandato.
Empresários pressionam por compensações, mas ministro se opõe
O ministro expressou **oposição à pressão de empresários** para incluir medidas de compensação para empresas no texto do Senado. Marinho considera que o **perfil atual do Congresso Nacional** dificulta o avanço de pautas trabalhistas, afirmando que, se o cenário fosse diferente, a PEC da 6×1 não estaria parada há tanto tempo.
Meta de inflação de 3% é “excessivamente ambiciosa”, diz Marinho
Em outra crítica à equipe econômica do governo, Luiz Marinho classificou a **meta de inflação de 3% ao ano**, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), como **”excessivamente ambiciosa”**. Ele argumenta que, para atingir essa meta, seria necessário manter os juros em patamares muito elevados, o que prejudicaria a economia.
Marinho já demonstrou divergências anteriores com a área econômica, especialmente em relação à revisão de gastos e benefícios como o abono salarial. Ele defende que **metas muito restritivas podem levar a juros altos**, algo que, segundo ele, deveria ser evitado.
Regulamentação de trabalho por aplicativo e ganho real do salário mínimo em pauta para futuro mandato
O ministro também sinalizou que, em um eventual quarto mandato de Lula, haverá avanços em propostas que ficaram travadas neste ano, como a **regulamentação do trabalho por aplicativo**. Ele atribui a paralisação atual ao receio dos parlamentares em se desgastar com trabalhadores e plataformas.
Além disso, Marinho garantiu que o presidente, caso reeleito, **manterá o ganho real do salário mínimo**, garantindo aumentos acima da inflação oficial. Essas promessas reforçam o compromisso do governo com a valorização do trabalhador brasileiro.





