Miss Universo Canadá pede desculpas por uso indevido de trajes indígenas
Duas candidatas ao concurso Miss Universo Canadá pediram desculpas após serem criticadas por utilizarem itens de origem indígena em um desfile de trajes típicos do país. A polêmica ganhou força quando uma ex-vencedora do concurso, de origem indígena, acusou as participantes de apropriação cultural indevida.
A organização do evento também emitiu um comunicado se desculpando pelo ocorrido e anunciou medidas para evitar que situações semelhantes se repitam em futuras edições. A promessa é a criação de um guia detalhado de trajes para garantir o respeito às diversas culturas.
A controvérsia levanta discussões importantes sobre a representatividade e o respeito às tradições de povos originários em eventos de grande visibilidade. Conforme divulgado pela imprensa, a situação já ocorreu anteriormente, indicando a necessidade de maior atenção e educação cultural dentro do concurso.
O caso do cocar e da marca de mão vermelha
A participante Karisa Haverkamp gerou grande repercussão ao usar um **cocar de penas**, item tradicionalmente associado a líderes indígenas na América do Norte. Além disso, ela ostentava uma **marca de mão vermelha pintada no rosto**, símbolo de solidariedade ao movimento das Mulheres Indígenas Desaparecidas e Assassinadas (MMIW).
Em sua defesa, Haverkamp publicou em suas redes sociais que reconhece e admite ter magoado e ofendido pessoas da comunidade indígena com sua escolha de traje. Ela agradeceu pela oportunidade de aprendizado que a situação proporcionou.
Mukluks e tranças: outra crítica de apropriação cultural
Outra candidata, Jasleen Kaily, apresentou um traje com o tema “Beleza Ártica”, que incluía um vestido, botas de pele conhecidas como **mukluks** e duas tranças no cabelo. O penteado, segundo relatos, pode ter um profundo significado para os povos originários.
Kaily também se desculpou, afirmando que sua intenção era **celebrar um dos povos originários do Canadá**, e não desrespeitar ou deturpar sua cultura. Ela ressaltou que buscou homenagear a diversidade do país.
A voz de Ashley Callingbull
A crítica mais contundente partiu de **Ashley Callingbull**, a primeira mulher indígena a vencer o Miss Universo Canadá. Ao apresentar uma etapa do concurso, ela não hesitou em apontar a apropriação cultural. “Estamos em 2026, deveríamos saber mais sobre isso”, declarou Callingbull, visivelmente chateada.
Callingbull, que faz parte do povo enoch cree, afirmou ter visto o ocorrido em vídeo e expressou sua incredulidade: “Isso não pode ser real. Eu simplesmente não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo”. Ela questionou quem permitiu e aprovou tais trajes no palco, enfatizando que “nada do que é tradicional ou sagrado deveria ser permitido”.
Medidas futuras e histórico de polêmicas
Em resposta à repercussão, a organização do Miss Universo Canadá anunciou a criação de um **”guia de trajes completo”**. Este guia estabelecerá diretrizes claras para todas as etapas futuras, visando garantir apresentações cuidadosas e respeitosas. O diretor do concurso, Sonny Borrelli, convidou Ashley Callingbull para ser a coordenadora da etapa de trajes típicos.
Borrelli assumiu a “total responsabilidade” pelo erro, prometendo aprendizado e melhorias. “Vamos aprender com isso, vamos melhorar, vamos consertar”, disse. Callingbull, por sua vez, agradeceu a receptividade dos organizadores e destacou a importância da educação e da reconciliação. “Parte da reconciliação é educar, aprender, compreender e seguir em frente a partir dessas situações de uma forma positiva”, afirmou.
Não é a primeira vez que o concurso enfrenta acusações de apropriação cultural. Em 2015, uma participante usou uma fantasia de totem, gerando um “mal-entendido”, segundo a organização. Na época, Callingbull já havia sugerido a contratação de um consultor para assuntos culturais.




