Morre Tomás Improta, virtuoso pianista que transitou entre o jazz e a MPB, aos 77 anos
O mundo da música brasileira está de luto com o falecimento do pianista, compositor e arranjador Tomás Improta França, que se apresentava artisticamente como Tomás Improta. Ele faleceu neste domingo, 23 de agosto, aos 77 anos, em decorrência de complicações de um câncer de garganta. A notícia interrompe a rica trajetória de um dos músicos mais talentosos e prestigiados do país, que completaria 78 anos no próximo mês.
Tomás Improta era reconhecido por sua **extrema musicalidade**, demonstrada desde a infância. Sua carreira, que abrangeu 56 anos, foi marcada pela **versatilidade**, navegando com maestria entre os universos do jazz e da Música Popular Brasileira (MPB), gêneros que abraçou ainda nos anos 1960. Além de sua habilidade no piano, Improta também se destacou como compositor, arranjador e professor, além de ter escrito livros sobre teoria musical.
O corpo do artista será velado e cremado amanhã, segunda-feira, 24 de agosto, no Crematório da Penitência, no Caju. A partida de Improta deixa uma lacuna no cenário musical, mas seu legado, construído em inúmeras colaborações e em sua discografia solo, continuará a inspirar gerações. Conforme informação divulgada em obituário, a morte de Tomás Improta encerra a jornada de um músico de imensa importância para a música brasileira.
Um Músico de Múltiplas Faces: Do Jazz à MPB com Maestria
Ao longo de sua extensa carreira, Tomás Improta teve a oportunidade de tocar em discos e shows ao lado de alguns dos **maiores nomes da MPB**. Sua presença marcante no piano enriqueceu trabalhos de artistas como Chico Buarque, Djavan, Gal Costa, Gilberto Gil e Maria Bethânia, entre muitos outros. Essa colaboração constante com a nata da música brasileira solidificou sua reputação como um músico de confiança e talento excepcional.
Paralelamente à sua atuação como músico acompanhante, Improta construiu uma **discografia solo** muito apreciada no nicho da música instrumental. Seus álbuns solo demonstram a profundidade de sua pesquisa e a originalidade de suas composições, consolidando-o como um artista completo e com uma visão musical singular.
Colaboração com Caetano Veloso e Legado Solo
Um dos momentos marcantes na trajetória de Tomás Improta foi sua participação em **A Outra Banda da Terra**, grupo formado por Caetano Veloso no final de 1977. Com essa banda, Improta contribuiu para álbuns icônicos de Caetano, como “Muito (Dentro da estrela azulada)” (1978), “Cinema transcendental” (1979), “Outras palavras” (1981), “Cores, nomes” (1982) e “Uns” (1983). Caetano Veloso, emocionado, prestou uma **homenagem nas redes sociais**, descrevendo o piano de Improta como “totalmente solto mas misteriosamente ligado com o que me vinha à cabeça em cada momento de show”.
Na sua discografia solo, Tomás Improta presenteou o público com álbuns notáveis, incluindo “Tear” (1992), “Bartok jazz” (1995), “Certas mulheres” (1998), “Dorival – Tomás Improta interpreta Dorival Caymmi” (2002), “A volta de Alice” (2015) e “Olha pro céu” (2017). Uma parceria especial também resultou no álbum “Andrea Ernest Dias, flauta – Tomás Improta, piano” (2005), evidenciando a versatilidade e a capacidade de diálogo musical do pianista.
Reconhecimento de Colegas e Impacto Duradouro
A morte de Tomás Improta foi amplamente lamentada por músicos e instrumentistas nas redes sociais. O pianista Kiko Continentino, o ritmista Marcelo Costa e o músico de sopros Dirceu Leite expressaram sua admiração e tristeza. Para Dirceu Leite, Improta foi um **“músico da maior importância para a música brasileira”**, um reconhecimento que ecoa o impacto profundo de sua obra.
O legado de Tomás Improta reside não apenas em suas gravações e composições, mas também em sua capacidade de **inspirar e dialogar** com diferentes vertentes musicais. Sua passagem pela música brasileira deixou uma marca indelével, consolidando-o como um artista fundamental para a compreensão da evolução do jazz e da MPB no Brasil.





