
Bloqueio dos EUA: Hospitais de Cuba em Colapso com Falta Crítica de Energia, Remédios e Insumos Essenciais
Crise em Hospitais Cubanos: Bloqueio dos EUA Agrava Falta de Energia, Remédios e Insumos Básicos O Hospital Docente Cirúrgico Miguel Enríquez, antes um centro de excelência médica em Cuba, hoje agoniza em meio à precariedade. Localizado no bairro do Cerro, em Havana, o hospital, conhecido como La Benéfica, sofre severamente com o intensificado bloqueio imposto pelos Estados Unidos, refletindo uma crise generalizada que afeta a saúde pública na ilha. A reportagem da Folha de S. Paulo, em visita ao local no início de abril, encontrou o hospital sem eletricidade, dependendo unicamente da luz natural. Dos cinco elevadores, quatro estavam inoperantes, forçando funcionários e pacientes a utilizarem as escadas para se locomover pelos cinco andares do prédio principal. A energia, quando disponível, provinha de geradores de emergência, reservados apenas para casos urgentes. Este cenário desolador não é um caso isolado. Desde janeiro, Cuba enfrenta uma crise econômica e energética sem precedentes. A intensificação das sanções pelo governo de Donald Trump, somada à interrupção do envio de petróleo da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro, principal fornecedor de combustível cubano, aprofundou o isolamento comercial da ilha. Conforme informação divulgada pela Folha de S. Paulo, Washington tem pressionado países e empresas que abastecem Cuba sob ameaça de sanções, resultando em apagões cada vez mais longos, postos de gasolina vazios e inflação crescente. Escassez Crítica de Medicamentos e Insumos Alimenta Crise Sanitária Em hospitais e farmácias estatais cubanas, a escassez de recursos, que já era um problema, tornou-se praticamente inexistente. Isso tem levado à suspensão de cirurgias, ao adiamento de tratamentos e ao agravamento das condições de saúde dos pacientes. Médicos ouvidos pela reportagem no La Benéfica relatam trabalhar com o mínimo, sem luvas e seringas. Os poucos medicamentos disponíveis chegam por meio de doações ou importações custosas. A cirurgiã plástica Yunai Gonzáles Turca, 26 anos, descreve o impacto diário do bloqueio: “Os insumos básicos não chegam, os medicamentos se esgotam, e os cortes de energia interrompem serviços essenciais, além de comprometerem a refrigeração de medicamentos sensíveis”. A equipe médica recorre ao improviso, reutilizando materiais quando seguro, buscando alternativas locais e adaptando protocolos clínicos. Os itens mais críticos em falta incluem anestésicos, antibióticos de amplo espectro, citostáticos para pacientes oncológicos, insulina e medicamentos para hipertensão. Entre os insumos, a falta de luvas, seringas, materiais de sutura, esterilização, reagentes laboratoriais, gases e soluções intravenosas é alarmante. Segundo Gonzáles, os pacientes mais vulneráveis, como os oncológicos, gestantes, recém-nascidos e idosos com doenças crônicas, são os mais afetados. Embargo Americano Dificulta Acesso a Equipamentos e Peças de Reposição Fabián Pérez Alonso, 31 anos, residente em gestão em saúde no Hospital Pedro Borrás Marfán, corrobora o cenário de precariedade. Ele destaca que o embargo americano tornou inviável, nos últimos anos, a aquisição de equipamentos e peças de reposição para aparelhos hospitalares. “São aparelhos de primeira necessidade, que deveriam estar sempre disponíveis, mas hoje se tornaram um luxo”, afirma. A situação para os pacientes beira o desespero. Danischa Valdés, 12 anos, diagnosticada com epilepsia e diabetes, está há







