
Crise em Cuba: Fome, apagões e repressão aumentam o risco de revolta contra o regime comunista
Crise em Cuba: Fome, apagões e repressão aumentam o risco de revolta contra o regime comunista A ilha caribenha enfrenta um cenário de escassez e descontentamento crescente, alimentado por cortes de petróleo e pela repressão governamental. Manifestações raras e atos de vandalismo contra símbolos do regime indicam uma fissura que pode se aprofundar. Embora o governo cubano culpe o embargo dos Estados Unidos pela crise, a população reage de forma cada vez mais visível, com protestos noturnos e pichações que desafiam a autoridade. O ataque à sede do Partido Comunista em Morón, em março, marcou um ponto de virada, sendo o primeiro ataque a uma agência oficial em quase 70 anos. A situação atual se assemelha à que desencadeou grandes protestos em 2021, com apagões, fome e crise na saúde. A repressão oficial, contudo, tem se intensificado, criminalizando a dissidência e a liberdade de expressão, especialmente online. Conforme informação divulgada pelo The New York Times, a repressão oficial à população é cada vez mais forte. A indignação que ganha as ruas (e as paredes) O corte no abastecimento de petróleo por parte do governo Trump, com o objetivo de forçar negociações, intensificou os apagões e a crise humanitária em Cuba. Embora uma trégua temporária tenha permitido a chegada de um navio russo com combustível, as condições precárias continuam a gerar descontentamento. Panelaços e pichações com críticas à administração têm sido registrados, evidenciando a insatisfação popular. Alina López, historiadora e ativista em Matanzas, observa que a sociedade civil está, gradualmente, se levantando contra o sistema. A historiadora afirma que, aos poucos, como costuma acontecer em um sistema como esse, a sociedade civil está de fato se levantando. O líder Miguel Díaz-Canel reconheceu a frustração com os blecautes e a escassez, mas atribuiu a culpa ao bloqueio petrolífero dos EUA. Analistas como Michael J. Bustamante, professor de história e titular da cátedra de Estudos Cubanos e Cubano-Americanos na Universidade de Miami, questionam o futuro da situação, alertando que se cidadãos de uma cidade pequena como Morón tentaram incendiar a sede do Partido Comunista em menos de três meses de crise, o que acontecerá em cinco ou seis? Dissidência em xeque, mas não silenciada Apesar do crescimento no número de manifestações, que saltaram de 30 em janeiro para 229 em março, segundo o grupo cubano de direitos humanos Cubalex, a falta de um movimento dissidente robusto é um obstáculo. Muitos opositores foram presos ou exilados, e um êxodo de mais de um milhão de cubanos desde 2020 deixou o país com uma população envelhecida e menos jovens para liderar a luta. Bustamante ressalta a ausência de uma oposição política viável, sem líderes com redes fortes ou planos para assumir o poder, comparando a situação à Venezuela, que conta com uma líder como María Corina Machado. O regime cubano, após os protestos de 2021, endureceu medidas que criminalizam a dissidência, incluindo a liberdade de expressão online, com penas de prisão para delitos como “difamação”, “desacato” e “ciberterrorismo”. Novas rotas de fuga bloqueadas, novas formas








