
Ex-altos funcionários do Afeganistão lutam por recomeço no Brasil: de cargos de poder a trabalhos informais após fuga do Talibã
Refugiados afegãos no Brasil: a árdua jornada de reinserção profissional e a busca por identidade após a fuga do Talibã. A chegada de mais de 10 mil afegãos ao Brasil desde a tomada do poder pelo Talibã em 2021 representa um capítulo complexo na história da imigração no país. Muitos desses refugiados, que ocupavam posições de destaque em suas nações, agora se deparam com desafios significativos para retomar suas carreiras e reconstruir suas vidas. A busca por uma nova identidade e por oportunidades de trabalho dignas tem sido uma constante. A língua portuguesa, as diferenças culturais e a complexidade dos processos de revalidação de diplomas e autorização de trabalho se tornam obstáculos diários, testando a resiliência e a esperança desses indivíduos. Apesar das adversidades, muitos afegãos expressam gratidão pela acolhida brasileira e pelas políticas de visto humanitário que permitiram sua entrada regular no país. No entanto, a falta de uma estratégia nacional robusta de integração e o apoio ainda insuficiente de órgãos públicos e privados evidenciam a necessidade de um esforço conjunto para garantir a plena inserção desses profissionais qualificados no mercado de trabalho. Conforme informações divulgadas pela Folha de S.Paulo e outras fontes, a situação desses refugiados é marcada pela luta contra as adversidades em busca de um futuro digno. De cargos de liderança a empregos informais: a realidade de ex-funcionários do governo afegão Ghulam Mustafa Shirzad, 37, um cientista político com vasta experiência em altos cargos no governo do Afeganistão, incluindo posições no Ministério da Justiça e da Economia, agora opera o caixa em uma barraca de comida em São Paulo. Shirzad, que presidia reuniões e aprovava projetos de desenvolvimento nacional, busca incessantemente por um emprego alinhado à sua formação, mas o idioma português se apresenta como um grande entrave. Ele atualizou seu perfil no LinkedIn e participou de processos seletivos em grandes bancos brasileiros, sem sucesso até o momento. Shirzad, que obteve visto humanitário em 2021, teme pela segurança de seus parentes que ainda estão no Afeganistão, o que o impede de detalhar as ameaças que sofreu. Barreiras linguísticas e a desvalorização da formação profissional A língua portuguesa é uma barreira imediata para muitos afegãos, como Nina Kawusi, 37, que relata a dificuldade em realizar tarefas cotidianas, como ir ao médico ou matricular os filhos na escola. Erros de tradução por ferramentas online frequentemente geram mal-entendidos, segundo Nina. Seu marido, Naweed Kawusi, ex-coronel da Guarda Nacional do Afeganistão, estava na lista de pessoas a serem presas pelo Talibã. Nina, jornalista de formação, hoje atua como artista de henna e colaboradora da ONG Estou Refugiado. Ela destaca que empregos disponíveis raramente correspondem à formação dos refugiados: engenheiros viram entregadores, professores se tornam trabalhadores domésticos e médicos, assistentes. Desafios na revalidação de diplomas e saúde mental Nina Kawusi aponta a falta de investimento no ensino de português, o reconhecimento de diplomas, serviços de saúde mental e apoio jurídico como pontos cruciais que precisam ser melhorados. A burocracia para obter documentos como residência, autorização de trabalho e CPF é lenta,








