
Abilio Diniz imprimiu estilo competitivo à vida e aos negócios
Abilio Diniz sempre teve muito gosto por competir. Para muitos que o conheceram, ele era muito mais do que competitivo: era obsessivo. Abilio já era um empresário conhecido na década de 60 quando passou a ser um dos principais pilotos dos tempos românticos do automobilismo brasileiro. Ganhou várias provas com um Alfa Romeo vermelho. Em 1971, foi vice-campeão brasileiro de automobilismo e eleito o “Homem de Vendas” do ano. Deixou o automobilismo, mas nunca deixou de competir, nos esportes e nos negócios. Abilio morreu neste domingo (18) aos 87 anos, vítima de insuficiência respiratória em função de uma pneumonite e será sepultado nesta segunda-feira (19), em São Paulo. Ele estava internado no Hospital Albert Einstein, na capital paulista, com pneumonia e seu quadro se agravou. O empresário viajou em janeiro para Aspen, no Colorado (EUA), enquanto se recuperava de duas cirurgias no joelho. Ele se sentiu mal e voltou às pressas para o Brasil. Antes disso, fez uma publicação no seu perfil no Instagram quando ainda estava nos Estados Unidos. O empresário disse que, na ocasião, não poderia aproveitar os esportes de inverno na neve devido à sua recuperação. Sua carreira de empresário começou em 1959. Mais velho dos 6 filhos do português Valentim dos Santos Diniz e de sua mulher, Floripes, abriu com o pai o primeiro supermercado Pão de Açúcar no Paraíso, em São Paulo, bairro onde passou a infância. Era na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, ao lado da Doceria Pão de Açúcar, que Valentim abrira em 1948. Valentim tinha chegado ao Brasil em 1929, e Abilio nascera em 28 de dezembro de 1936. Formado em Administração de Empresas pela FGV, Abilio foi estudar Marketing e Economia nos EUA em 1965. Logo depois de sua volta ao Brasil, o Pão de Açúcar já era a maior rede varejista do País. Na década de 70, com a aquisição da Eletroradiobraz, se tornou a maior varejista da América Latina, e inovou ao criar os primeiros hipermercados do País. O grupo seguiu fazendo aquisições, comprando os tradicionais rivais Peg-Pag e Superbom. Nessa época, já tinha negócios em Portugal e Angola. Eram os tempos do chamado “milagre brasileiro“, na fase mais dura da ditadura militar. Ao contrário de outros empresários, que em meados dos anos 70 começaram a pedir a abertura da economia brasileira, Abilio se manteve discreto, falando só de negócios ou algo sobre a inflação, que começava a ser um problema sério da economia e afetar a lucratividade do grupo. Em entrevista ao Estadão, em 1979, disse: “Inflação? Cada um faça sua parte“. Em 1981, foi criada a Companhia Brasileira de Distribuição (CBD) Foi nesse ano que, finalmente, se une ao coro dos que pediam a abertura da economia. Quatro anos depois, chegaria a estar numa lista de possíveis ministros do primeiro governo civil após a queda da ditadura, o de José Sarney. Logo depois sofreu com o congelamento de preços determinado durante o Plano Cruzado. As prateleiras dos supermercados ficavam vazias. Diniz chegou a ser indiciado e acusado de sonegar mercadorias.
