Netanyahu ordena retirada de parte dos assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada
O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, determinou a retirada de alguns assentamentos na Cisjordânia ocupada, segundo declarações do ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, neste domingo (6). A medida, que não conta com a aprovação de Smotrich, diz respeito a postos avançados construídos em áreas sob controle da Autoridade Palestina e sem autorização oficial.
Smotrich, líder de um partido de ultradireita que defende a anexação de toda a Cisjordânia, destacou ter promovido a expansão e legalização de novas construções no território, ocupado por Israel desde 1967. Apesar de todos os assentamentos israelenses na Cisjordânia serem considerados ilegais pelo direito internacional, alguns, estabelecidos sem aprovação governamental, também são vistos como ilegais por Israel.
A ordem de Netanyahu foi noticiada por diversos veículos de comunicação israelenses, com o site Ynet apontando a pressão dos Estados Unidos como fator determinante. O embaixador americano em Israel, Mike Huckabee, visitou a Cisjordânia no sábado (5) para expressar apoio a palestinos com cidadania americana que foram vítimas de ataques de colonos, reforçando que “crime é crime” e “terror é terror”, com consequências severas.
Pressão Americana e Críticas Internas
A decisão de Netanyahu em ordenar a retirada de parte dos assentamentos surge em um contexto de crescente pressão internacional e de declarações de autoridades americanas. O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, enfatizou a necessidade de responsabilização por atos de violência, afirmando que “quando as pessoas fazem isso, devem esperar que terão consequências severas”.
Bezalel Smotrich, ministro das Finanças e figura proeminente da extrema-direita israelense, manifestou publicamente sua discordância com a ordem. Ele descreveu a medida como um esvaziamento de postos avançados, que ele mesmo ajudou a expandir, e criticou a falta de aprovação oficial para tais construções.
Aumento da Violência e Expansão de Assentamentos
A Cisjordânia tem registrado um aumento significativo da violência desde o início da guerra na Faixa de Gaza, após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023. Mais de 500 mil israelenses residem atualmente em assentamentos no território palestino, que abriga cerca de três milhões de palestinos.
Sob o governo de Netanyahu, a construção e expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia aumentaram consideravelmente. No final de agosto, o primeiro-ministro reiterou seu compromisso em continuar a expansão de novas moradias no território, mesmo diante da forte oposição internacional.
Contexto Histórico e Legalidade dos Assentamentos
É importante ressaltar que, segundo o direito internacional, todos os assentamentos israelenses na Cisjordânia são considerados ilegais. Contudo, Israel também classifica como ilegais os postos avançados estabelecidos sem a aprovação do governo, que muitas vezes consistem em poucas casas pré-fabricadas.
A ordem de Netanyahu, portanto, foca em estruturas que, além de ilegais sob a ótica internacional, também não possuíam a permissão oficial do próprio governo israelense. O gabinete do primeiro-ministro não comentou oficialmente as informações quando contatado pela AFP.





