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Netanyahu: Vitórias no Oriente Médio, Derrotas Globais e o Preço da Divisão Palestina

A dualidade da liderança: sucessos regionais e isolamento internacional de Israel sob Netanyahu

A política israelense se encontra em um momento crucial, com o bloco de oposição, liderado por Gadi Eisenkot, buscando uma vantagem nas pesquisas. No entanto, a arena política parece ter sido moldada pelos termos do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, onde até mesmo seus adversários adotam posturas mais à direita, endossando a visão de mundo do premiê. Essa convergência ideológica, embora possa garantir vitórias internas, tem um custo alto na esfera global.

A estratégia de Netanyahu de sustentar o Hamas com fundos do Qatar, visando dividir os palestinos e frustrar a criação de um Estado palestino, é um ponto central dessa análise. Essa política, considerada por alguns como um “ativo” do Hamas, conforme descrito por Bezalel Smotrich, parceiro de coalizão de Netanyahu, culminou em um evento traumático para Israel e em uma resposta devastadora em Gaza.

A guerra subsequente, com um número alarmante de mortes palestinas e a destruição de Gaza, alterou drasticamente a percepção internacional sobre Israel. O que antes era uma questão geopolítica secundária, a “questão palestina”, tornou-se central, com um número crescente de países reconhecendo um Estado palestino e Israel enfrentando acusações de genocídio na Corte Internacional de Justiça. Conforme informação divulgada em análise jornalística, o mundo agora vê Israel de forma semelhante a como os palestinos em Gaza o veem, um reflexo direto das ações e estratégias empregadas.

A estratégia de Netanyahu: dividir para reinar e a negação do Estado Palestino

Binyamin Netanyahu dedicou anos a impedir a criação de um Estado palestino, uma de suas realizações mais orgulhosas. Ele declarou repetidamente: “Não haverá um Estado palestino a oeste do rio Jordão”. Sua política de expandir assentamentos judaicos na Cisjordânia, referida por ele como Judeia e Samaria, demonstrava seu compromisso em consolidar o controle israelense sobre o território, contrariando a pressão internacional por uma solução de dois Estados.

Essa postura, combinada com a estratégia de enfraquecer a Autoridade Palestina e, paradoxalmente, sustentar o Hamas, visava manter o status quo e evitar concessões significativas. A ascensão de figuras como Bezalel Smotrich, que via o Hamas como um “ativo”, ilustra a complexidade e as contradições dentro do espectro político israelense, onde objetivos de segurança e expansão territorial frequentemente se entrelaçam.

O ataque de 7 de Outubro e a resposta israelense: um ponto de virada global

O ataque orquestrado por Yahya Sinwar em 7 de outubro de 2023, que resultou na morte de cerca de 1.200 pessoas e na tomada de 251 reféns, foi um evento traumático para Israel, o pior dia de mortes judaicas desde o Holocausto. A resposta israelense foi avassaladora, com mais de 74 mil palestinos mortos na guerra que se seguiu, incluindo mais de 21 mil crianças, e Gaza reduzida a escombros.

Sinwar, segundo relatos, estava disposto a sacrificar um grande número de vidas palestinas em busca de ganhos políticos, uma estratégia que, com a cooperação de Netanyahu, alcançou um objetivo inesperado: reerguer a “questão palestina” no cenário geopolítico mundial. A solidariedade internacional com Israel após o ataque inicial deu lugar a um escrutínio intenso e a uma crescente simpatia pelos palestinos.

O custo da “vitória total”: isolamento internacional e o futuro de Israel

A busca de Netanyahu por uma “vitória total” sobre o Hamas, priorizando o objetivo militar em detrimento da vida dos reféns e da população civil, levou a uma escalada de violência e a um isolamento internacional sem precedentes. Apesar dos danos infligidos aos seus inimigos, regimes como o iraniano e grupos como o Hezbollah e o Hamas permanecem de pé.

O apoio incondicional a Israel nos Estados Unidos diminui, com figuras proeminentes como Rahm Emanuel alertando sobre o fim dos subsídios e a percepção de Israel como um “pária territorial”. A expressão “sucesso catastrófico” tornou-se um termo adequado para descrever a situação, onde vitórias militares aparentes levam a atoleiros estratégicos e políticos. O mundo agora vê Israel como um agressor, e o país enfrenta um futuro de isolamento, com o risco de ser considerado um regime de apartheid.

O dilema contínuo: vitórias regionais e a perda do mundo

A análise conclui que, embora Netanyahu possa ter alcançado alguns de seus objetivos geopolíticos no Oriente Médio, o custo global tem sido imenso. A percepção de Israel mudou drasticamente, com o país sendo questionado em tribunais internacionais e enfrentando a condenação da opinião pública mundial. A sugestão de Netanyahu sobre o uso de criptomoedas para contornar sanções futuras, repreendida pelo banco central israelense, simboliza o crescente isolamento do país.

O comentarista político israelense Ari Shavit resumiu a situação de forma contundente: “Vencemos no Oriente Médio, mas perdemos o mundo”. Essa dicotomia reflete a armadilha em que israelenses e palestinos se encontram, um ciclo de violência e desconfiança que exige uma saída urgente e inovadora para evitar um futuro ainda mais sombrio.

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