ONU Exige Resgate de Milhares de Marinheiros Retidos em Zona de Guerra no Oriente Médio
A Organização das Nações Unidas (ONU) fez um apelo veemente por medidas imediatas para socorrer cerca de 6.000 marinheiros que se encontram presos em centenas de embarcações no Estreito de Hormuz, uma área de intenso conflito no Oriente Médio. A situação, agravada pela retomada das hostilidades, coloca estas tripulações em risco extremo.
A porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Shabia Mantoo, detalhou que muitos desses marinheiros estão impossibilitados de desembarcar e retornar para casa, mesmo após um breve cessar-fogo. A preocupação é com a segurança e o bem-estar dessas pessoas, que estão expostas a perigos constantes.
A Organização Marítima Internacional estima que o número de tripulantes retidos ultrapasse os 6.000, com muitos ainda desaparecidos. A ONU, através de seu chefe de direitos humanos, Volker Turk, instou todos os envolvidos no conflito, incluindo Estados e proprietários de navios, a agirem rapidamente para garantir a proteção e o resgate dessas pessoas, conforme divulgado pela porta-voz Shabia Mantoo.
Apelo por Segurança e Suprimentos Essenciais no Estreito de Hormuz
Volker Turk solicitou que sejam tomadas providências urgentes para a proteção dos marinheiros retidos, incluindo o fornecimento de assistência consular e suprimentos vitais. A facilitação de suas retiradas e repatriações é uma prioridade apontada pela ONU.
A porta-voz Shabia Mantoo enfatizou a necessidade de as partes em conflito colaborarem para garantir a passagem segura dessas pessoas. O objetivo é permitir que sejam evacuadas e desembarquem em segurança, além de assegurar a entrega de suprimentos essenciais para sua subsistência.
Guerra no Oriente Médio e Ataques a Embarcações Civis
A guerra, que recomeçou este mês após um cessar-fogo de curta duração, intensificou o caos na região. O Estreito de Hormuz, rota vital para o transporte de petróleo, tornou-se palco de disputas. As Forças Armadas dos EUA afirmam que a via navegável continua aberta ao tráfego, apesar dos ataques iranianos a petroleiros.
Shabia Mantoo condenou veementemente os ataques contra embarcações civis, declarando-os inaceitáveis e em violação ao direito internacional humanitário. Os marinheiros estão constantemente expostos a hostilidades, com 17 mortos declarados desde o início do conflito no final de fevereiro.
Abandono de Marinheiros e Condições Desumanas
O escritório de direitos humanos da ONU também denunciou casos de marinheiros abandonados por seus empregadores. Pelo menos nove navios, com 93 tripulantes a bordo, foram deixados sem apoio, salários ou perspectivas de repatriação. Essas tripulações encontram-se em seus navios sem comida, água, combustível, atendimento médico, eletricidade ou meios de comunicação com suas famílias.
Preocupação Ampliada para Outras Zonas de Conflito
A ONU expressou preocupação similar com marinheiros em outras áreas de conflito, como o Mar de Azov e o Mar Negro, afetados pela guerra na Ucrânia. Empresas de navegação suspenderam serviços para portos ucranianos devido aos crescentes ataques russos. O escritório de direitos humanos verificou pelo menos quatro ataques a embarcações civis na região de Odessa neste mês, resultando em 34 mortos ou feridos entre trabalhadores de embarcações.
A Ucrânia é um grande exportador de commodities, com 90% de suas exportações passando pelos portos do Mar Negro. A ONU reforça que marinheiros não devem ser forçados a navegar por zonas de conflito, colocando suas vidas em risco, nem sofrer represálias por recusarem tais missões.





