Otan: Negócios Militares Bilionários Ganham Destaque na Cúpula com Trump e Foco em Rearmamento Europeu
A mais recente cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada em Ancara, Turquia, foi marcada por um forte enfoque em negócios militares e um acelerado rearmamento dos membros europeus. A aliança, sob a influência de Donald Trump, que retornou ao poder nos Estados Unidos, intensificou a produção de material de defesa no continente, com anúncios de investimentos na casa dos US$ 50 bilhões (aproximadamente R$ 258 bilhões).
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, ressaltou a urgência da situação, afirmando que “o zumbido das máquinas precisa se transformar em um rugido”. Essa declaração reflete a crescente preocupação com ameaças externas, como Rússia, China e Coreia do Norte, e a necessidade de uma resposta robusta da aliança. A presença de Trump na cúpula, apesar das críticas anteriores à Otan, foi vista com alívio pelos aliados.
O cenário de gastos militares na Europa mudou drasticamente após a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014 e a invasão da Ucrânia em 2022. Atualmente, a maioria dos 32 membros da Otan cumpre a meta de gastar pelo menos 2% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em defesa. Rutte, em particular, comprometeu-se a elevar esse índice para 5% em dez anos, com uma parcela significativa destinada à aquisição de armamentos, conforme divulgado pelos organizadores do evento.
Investimentos Massivos e Novos Acordos de Defesa
A cúpula testemunhou a assinatura de diversos acordos militares de grande porte. Um dos mais notáveis foi a compra pela aliança de dez aviões-radar GlobalEye da sueca Saab, em um negócio que superou a oferta da americana Boeing. Cada aeronave custa até US$ 450 milhões (cerca de R$ 2,3 bilhões) e as entregas estão previstas para iniciar a partir de 2030.
Além disso, foram anunciadas a aquisição de cinco drones americanos MQ-4C Triton e a criação de uma frota continental de aviões de transporte e reabastecimento, centrada no modelo Airbus A-400M. A gigante alemã Rheinmetall também firmou um acordo para a produção de mísseis balísticos ATACMS, em parceria com a americana Lockheed Martin, visando fortalecer as defesas europeias e da Ucrânia.
Em um movimento estratégico anterior à cúpula, o Canadá anunciou a compra de 12 submarinos da alemã TKMS, um contrato que pode atingir US$ 70 bilhões (aproximadamente R$ 361 bilhões) ao longo dos anos. Essas aquisições demonstram um claro realinhamento e fortalecimento da capacidade militar dos países membros.
Ameaças Externas e o Papel de Trump na Otan
As motivações para esse aumento expressivo nos gastos com defesa são claras, segundo Mark Rutte: a crescente assertividade da Rússia, a ascensão da China como potência global e as ações provocativas da Coreia do Norte. Rutte alertou que “esses países estão trabalhando cada vez mais juntos, e isso deveria nos preocupar a todos, porque garanto que eles não têm nossos melhores interesses em mente”.
O presidente Donald Trump, com suas críticas anteriores à Otan, como chamá-la de “covarde” e “tigre de papel”, continua a exercer influência sobre a aliança. Sua pressão por maior contribuição financeira dos membros europeus tem sido um fator determinante para o aumento dos gastos com defesa. Desde seu primeiro mandato, Trump tem criticado a dependência europeia em relação aos Estados Unidos.
Países do Leste Europeu, pela proximidade geográfica com a Rússia, lideram os investimentos proporcionais em defesa. Lituânia (5,33% do PIB), Estônia (5,1%), Letônia (4,92%) e Polônia (4,68%) são exemplos notáveis desse esforço. Embora o montante total ainda seja menor que o gasto americano, a aceleração europeia é a maior desde a Guerra Fria.
Novas Estratégias de Defesa e a Questão Ucraniana
Um plano quinquenal para a criação de uma rede de defesa contra drones no continente, estimado em US$ 40 bilhões (cerca de R$ 206 bilhões), foi anunciado por Rutte. Essa iniciativa visa combater as vulnerabilidades expostas por campanhas recentes, que testaram as defesas europeias. A Rússia, em particular, tem sido apontada como um ator que explora essas fragilidades.
A cúpula também abordou o futuro da ajuda à Ucrânia. Com os Estados Unidos, sob a administração Trump, tendo parado de financiar diretamente os ucranianos, a Otan busca alternativas. Um esquema onde a aliança compra armas americanas de seus estoques para repassar a Kiev tem sido implementado. Trump tem encontros agendados com o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, para discutir o futuro das negociações com a Rússia e a escassez de mísseis de defesa antiaérea.
Analistas especulam sobre a possível volta da Turquia ao programa do caça F-35, do qual foi expulsa em 2019 após adquirir sistemas antiaéreos russos S-400. Trump indicou que poderia levantar sanções contra a Turquia e tomar uma decisão final sobre os caças, um movimento que gerou apreensão em Israel, visto como rival estratégico da Turquia na região. O Kremlin declarou que acompanhará a cúpula com atenção.





