Paraguai repudia fala de Lula sobre Guerra do Paraguai e pede artefatos históricos ao Brasil às vésperas de eleições
O vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, buscou nesta sexta-feira (31) amenizar a tensão diplomática com o Brasil após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra do Paraguai. Alliana entregou uma nota de repúdio ao embaixador brasileiro em Assunção, mas declarou que o país vizinho não deseja aprofundar a rusga, especialmente em um momento pré-eleitoral.
“O que menos queremos é que eles pensem que pretendemos interferir nas eleições”, disse Alliana, em referência às eleições presidenciais de outubro no Paraguai. A declaração de Lula, feita em Jacareí (SP), mencionou que o Paraguai, em certo momento, decidiu invadir o Brasil, o que gerou forte repercussão em Assunção.
A nota de repúdio, endereçada ao ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, expressa o “desagrado formal” do governo paraguaio com as falas de Lula, que foram consideradas uma distorção de “fatos históricos de singular relevância para o povo paraguaio”. A diplomacia paraguaia pediu que tais eventos sejam abordados com “responsabilidade e espírito de reconciliação”. Conforme divulgado pela imprensa, o Paraguai também aproveitou a ocasião para reiterar o pedido histórico por itens da guerra que se encontram no Brasil, como o canhão Presidente López e cópias de documentos sobre a Guerra da Tríplice Aliança.
Tensão diplomática e pedidos históricos
O imbróglio teve início em 24 de maio, quando Lula mencionou a Guerra do Paraguai em um evento. A mera lembrança do conflito do século XIX, que devastou o Paraguai, foi suficiente para pressionar o governo paraguaio a reagir. A nota oficial paraguaia, divulgada nesta sexta-feira, rejeita as declarações brasileiras por distorcerem a história.
“Os acontecimentos que marcaram profundamente a história de nossos povos devem ser abordados com responsabilidade e espírito de reconciliação”, afirma o comunicado paraguaio. A solicitação de artefatos históricos, como o canhão Presidente López e documentos da Guerra da Tríplice Aliança, é uma demanda antiga de Assunção.
Declarações de autoridades paraguaias
Antes da entrega da nota oficial, diversas autoridades paraguaias se manifestaram. O presidente da Câmara dos Deputados, Raúl Latorre, aliado do presidente eleito Santiago Peña, classificou as falas de Lula como ditas com “muita leviandade sobre a maior tragédia da nossa história, o maior genocídio do nosso continente”.
A senadora Esperanza Martínez, da oposição, também criticou as declarações, rotulando-as como “remanescentes do imperialismo que tentam encobrir uma guerra criminosa e uma política histórica de dominação e abuso da elite brasileira” contra o Paraguai.
Embaixador brasileiro minimiza declarações
Segundo o vice-presidente Pedro Alliana, o embaixador brasileiro no Paraguai, José Antônio Marcondes de Carvalho, afirmou que a declaração de Lula foi tirada de contexto e que a intenção do presidente brasileiro nunca foi insultar o Paraguai. Alliana reiterou que o objetivo é evitar que a questão interfira no processo eleitoral paraguaio.
A tentativa de esfriar a relação diplomática ocorre em um momento de atritos entre Brasil e Argentina. Recentemente, o presidente argentino, Javier Milei, atacou Lula em um evento em São Paulo, o que levou o Brasil a convocar seu embaixador em Buenos Aires para consultas. O episódio com o Paraguai, embora formalizado com uma nota de repúdio, busca um desfecho menos conturbado.





