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Paulo Miklos: O Ex-Titã que Transforma Karaokê em Existencialismo Orquestral em ‘Coisas da Vida’

Paulo Miklos lança “Coisas da Vida”: um disco que desafia expectativas com roupagem orquestral e temas existenciais

Quando Paulo Miklos lançou a regravação de “Evidências” com um clipe ambientado em um karaokê, muitos se perguntaram sobre a necessidade de mais uma versão desse hit sertanejo. A música, um hino popularizado por Chitãozinho & Xororó, não adiciona muito ao repertório de Miklos, soando como uma faixa que poderia ser dispensada no novo álbum.

No entanto, o ex-integrante do Titãs prova que “Coisas da Vida” é muito mais do que um simples passeio pelo universo do karaokê. O álbum, lançado em 22 de maio, se destaca pela **imponente moldura orquestral**, com arranjos ricos em cordas e sopros, criados por Otávio de Moraes e Rafael Ramos. Essa sofisticação sonora eleva as canções, conferindo-lhes uma nova dimensão.

Embora haja escolhas pessoais, como a inclusão de “Xibom Bombom”, sucesso do grupo As Meninas, que tem um significado afetivo para Miklos por ter sido cantada após uma internação hospitalar, o álbum se sustenta por um **viés existencialista** presente na maioria das faixas. A própria música-título, “Coisas da Vida”, lançada originalmente por Rita Lee há 50 anos, já aponta para essa temática.

Do Rock Rural ao Soul Paulistano: Uma Jornada Sonora

O disco abre com “Mestre Jonas”, uma crítica ao conformismo. Miklos revive esse clássico do rock rural com um arranjo polifônico e ritmo acelerado, remetendo à gravação original do trio Sá, Rodrix & Guarabyra, mas sem cair na armadilha do cover.

O inconformismo também ecoa em “Quero Voltar pra Bahia”, um samba que expressa a insatisfação com o país e o desejo de retorno a um porto seguro. Miklos imprime seu suingue particular a essa canção, mostrando versatilidade.

Reflexões sobre a Vida e a Cidade em “Coisas da Vida”

O álbum transita entre o humanismo de “O Sal da Terra”, que prega amor e união, e a redescoberta de “Saudosa Maloca”, em uma adaptação surpreendente. A familiaridade de Miklos com Adoniran Barbosa, inclusive por tê-lo interpretado no cinema, torna essa escolha menos inesperada.

Um dos pontos altos é a releitura de “Não Existe Amor em SP”, canção que projetou Criolo. Miklos e o maestro Otávio de Moraes capturam a **frieza e a solidão da metrópole**, enquadrando a música em arranjos que acentuam o desajuste emocional dos versos originais.

Resiliência e Esperança em Tempos Incertos

A inadequação e a busca por autonomia são exploradas em “Ninguém Vive por Mim”, um lado menos óbvio de Sérgio Sampaio. Miklos resgata essa pérola de 1977 com sensibilidade.

O álbum se encerra com “O Tempo Não Para”, um rock de Arnaldo Brandão e Cazuza. A canção, que une a pulsação das cordas a uma pegada roqueira, finaliza “Coisas da Vida” de forma enérgica, alinhada à trajetória de Paulo Miklos. A letra, apesar do desabafo, traz uma mensagem de **resiliência e esperança**, ecoando o verso de Sérgio Sampaio: “O pior dos temporais aduba os jardins”.

“Coisas da Vida” se consagra como um trabalho maduro e reflexivo, onde Paulo Miklos demonstra que sua voz vai muito além do karaokê, oferecendo um panorama musical rico e existencialista.

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