Eleições no Peru: O Destino de 1,4% dos Votos em Aberto
As atas do segundo turno das eleições presidenciais no Peru foram 100% processadas, com todos os votos registrados pelo órgão eleitoral. No entanto, o resultado final ainda está pendente da análise de 1.261 atas, o que representa aproximadamente 1,4% do total.
Embora essa porcentagem possa parecer pequena, no Peru, onde eleições recentes foram decididas por margens mínimas, cada voto conta. A disputa tem sido marcada por reviravoltas e pela possibilidade de contestações que podem alterar o placar final.
A situação atual mostra a populista de direita Keiko Fujimori à frente de seu adversário, o candidato de esquerda Roberto Sánchez, por uma diferença de quase 20 mil votos. O cenário, contudo, ainda é volátil. Conforme informação divulgada pela imprensa local, o resultado final depende da análise dessas atas e de possíveis contestações.
A Disputa Pela Presidência: Votos no Exterior e Estratégias de Anulação
Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, retomou a liderança após ter sido ultrapassada momentaneamente. A sua vantagem tem sido impulsionada significativamente pelos votos do exterior. Em consulados peruanos ao redor do mundo, onde quase 97% das atas foram contabilizadas, Fujimori obteve uma vantagem superior a 13 pontos percentuais.
No Brasil, por exemplo, 55,6% dos eleitores peruanos votaram em Keiko Fujimori. Essa performance internacional tem sido crucial para consolidar sua posição na apuração geral, que envolve cerca de 27 milhões de eleitores aptos.
Contestações e Pedidos de Anulação: O Jogo Político em Andamento
Seguindo um padrão observado em eleições anteriores no país, o partido de Roberto Sánchez, Juntos pelo Peru, solicitou a anulação de 2.400 mesas de votação. A maior parte desses pedidos, 1.751 mesas, refere-se a território nacional, concentrando-se em Lima, um reduto eleitoral de Fujimori. Outras 649 mesas foram contestadas no exterior.
Uma parte significativa desses pedidos foi negada pelo Juri Eleitoral Especial da capital peruana. O motivo surpreendente foi a falta de comprovação do pagamento da taxa eleitoral correspondente. Para cada mesa de votação cuja anulação se deseja, é preciso desembolsar 1.337 soles, o equivalente a pouco menos de R$ 2.000.
Custos da Contestação e Mobilização Eleitoral
A solicitação de anulação das 2.400 mesas pelo partido de Sánchez poderia ter gerado um custo total de R$ 4,7 milhões. O partido argumentou que existiam evidências consistentes de fraude eleitoral, como a repetição idêntica de votos em favor do partido de Fujimori, a Força Popular.
A sigla alegou ter identificado um padrão de votação que desafia a probabilidade matemática, indicando uma falsificação sistemática. Para contornar o obstáculo financeiro e manter a mobilização de seus apoiadores, o partido começou a divulgar contas bancárias para doações, visando a “defesa do voto popular”.
Estratégia de Mobilização ou Desrespeito à Democracia?
A divulgação das contas para doação e o apoio de Sánchez a marchas de apoiadores parecem ser uma estratégia para manter a base eleitoral engajada. No entanto, essa tática contradiz as declarações anteriores do próprio candidato, que afirmava que aceitaria os resultados como um “homem democrático” e que o voto do cidadão deveria ser respeitado.
O prazo para apresentar pedidos de anulação já se encerrou, e a falta de pagamento das taxas torna a maioria das contestações improcedente. Apesar disso, marchas de apoiadores foram registradas e amplamente divulgadas nas redes sociais de Sánchez, que acusou o “regime” de usar a polícia contra manifestantes pacíficos que pedem transparência eleitoral.





