Petro encerra mandato na Colômbia com esquerda mais forte, mas sem sucessor eleito e reformas adiadas
Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda da Colômbia, deixa o poder nesta sexta-feira (7), após quatro anos marcados por avanços sociais e um fortalecimento significativo das forças progressistas no país.
Apesar de não ter conseguido eleger um sucessor e enfrentar obstáculos na aprovação de suas ambiciosas reformas, Petro encerra seu mandato com a esquerda consolidada, um feito notável em um país com histórico de conflitos e forte aliança com os Estados Unidos.
Apesar do resultado, a eleição de seu sucessor, o ultradireitista Abelardo de la Espriella, evidencia a acentuada polarização política que divide a Colômbia, conforme informações divulgadas pela imprensa colombiana.
A ascensão da esquerda em um cenário conservador
Enquanto a América do Sul experimentava a chamada “onda rosa” de governos de esquerda nos anos 2000, a Colômbia manteve uma orientação mais conservadora, com Álvaro Uribe no poder. Agora, em contrapartida à “onda azul” de governos de direita que varre a região, a Colômbia viu a ascensão de Petro.
Apesar disso, a eleição de Abelardo de la Espriella, que venceu em um segundo turno acirrado, demonstra a profundidade da polarização. Espriella, que surpreendeu analistas ao liderar o primeiro turno, quase perdeu a eleição final, mesmo com apoio internacional.
Um Congresso fragmentado e desafios para o futuro
A polarização se reflete também no Congresso colombiano, o que representa um desafio adicional para o novo presidente. O Pacto Histórico, partido de Petro, foi o que mais cresceu nas eleições legislativas de março, elegendo 25 senadores e 42 deputados.
Esses números, que representam 23% dos assentos na Câmara e 24% no Senado, são expressivos quando comparados com décadas anteriores, quando a representação de partidos de esquerda não ultrapassava 20% do Congresso.
Redução da pobreza e reformas parciais
Um dos maiores êxitos do governo Petro foi a redução da pobreza, que atingiu 28%, o menor nível histórico do país. Além disso, o presidente conseguiu aprovar uma reforma tributária que aumentou impostos para os mais ricos e uma reforma trabalhista que melhorou pagamentos para trabalhos noturnos, domingos e feriados.
No entanto, promessas como a “paz total” com grupos armados e a reforma da saúde ficaram pelo caminho, com o aumento de sequestros e o sistema de saúde em crise persistente, um dos maiores problemas para os colombianos, segundo pesquisas.
O caminho à frente para Abelardo de la Espriella
O novo presidente, Abelardo de la Espriella, assume o país com propostas ainda mais ousadas, incluindo o retorno da fumigação aérea contra plantações de coca e o fim de negociações com grupos armados. Ele também planeja reduzir o tamanho do Estado, revisando ministérios e órgãos públicos.
Para implementar suas medidas, Espriella, que estreia em seu primeiro cargo público, precisará navegar em uma sociedade profundamente dividida e lidar com um Congresso fragmentado, o que exigirá habilidade política e negociação.





