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Petro não aceita apuração prévia na Colômbia e alega fraude eleitoral contra seu candidato Iván Cepeda

Presidente Gustavo Petro contesta resultados preliminares das eleições colombianas, alegando suspeita de fraude e questionando a empresa responsável pela contagem.

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, declarou neste domingo (31) que não aceita os resultados da contagem preliminar das eleições. Seu candidato, o senador Iván Cepeda, apareceu atrás do ultradireitista Abelardo de la Espriella, uma surpresa diante das pesquisas anteriores.

A desconfiança de Petro se volta para a empresa Thomas Greg & Sons, pertencente aos irmãos Bautista, responsável por parte do processo de apuração. O presidente já havia criticado a companhia em outras ocasiões, inclusive em um processo de licitação para a produção de passaportes em 2023.

Diante das alegações, especialistas e órgãos de observação eleitoral defendem a confiabilidade do sistema colombiano, enquanto a comunidade internacional é chamada a apoiar o Registro Nacional. O resultado oficial só será conhecido após a contagem definitiva.

Petro aponta divergências e risco de fraude eleitoral

Com 100% das urnas pré-apuradas, Iván Cepeda obteve 40,9% dos votos, enquanto Abelardo de la Espriella alcançou 43,7%. Essa diferença contrasta com as pesquisas divulgadas uma semana antes, que indicavam uma vantagem de mais de dez pontos percentuais para Cepeda. Petro, em sua conta na rede social X, afirmou: “Como presidente, não aceito os resultados da contagem preliminar da empresa privada pertencente aos irmãos Bautista”.

A crítica do presidente à Thomas Greg & Sons não é nova. Desde uma crise em 2023, quando empresas se retiraram de uma licitação de passaportes alegando favorecimento à companhia, Petro tem sido vocal em suas críticas. A empresa, que imprimia os passaportes desde 2007, tem participação no consórcio Integración Logística Electoral 2026, contratado pelo Estado para auxiliar na apuração eleitoral.

Em fevereiro deste ano, Petro já havia alertado sobre um “imenso perigo de fraude eleitoral”, apesar de especialistas considerarem o sistema eleitoral colombiano confiável. Ele relembrou casos anteriores, como em 2022, quando seu partido, o Pacto Histórico, viu o número de cadeiras aumentar de 16 para 19 após a apuração oficial.

Cepeda ecoa preocupações e aponta discrepâncias significativas

O senador Iván Cepeda, apadrinhado de Petro, também manifestou preocupação com os resultados preliminares. Ele citou uma “discrepância que queremos verificar em relação ao cadastro eleitoral”, envolvendo cerca de 885 mil pessoas ou fichas de inscrição eleitoral. “Não se trata de uma discrepância pequena. Estamos falando de 885 mil pessoas ou fichas de inscrição eleitoral. Como levamos isso a sério, queremos que isso seja esclarecido”, declarou em Bogotá.

Cepeda acrescentou que “hoje tivemos 10 milhões de votos mal contados na Colômbia. Somos a principal força política, sem dúvida”. Ele enfatizou que o pronunciamento oficial do partido só ocorrerá após o esclarecimento completo pelas comissões de escrutínio.

Sistema eleitoral colombiano é defendido por especialistas e observadores

A contagem preliminar é um processo inicial para informar o público no dia da eleição, mas os números só ganham força legal após a confirmação oficial, que geralmente ocorre dias depois e pode apresentar pequenas diferenças devido a correções. A Missão de Observação Eleitoral da Colômbia, em seu relatório, mencionou possíveis coações de grupos armados e propaganda irregular, mas não endossou as denúncias de fraude apresentadas por Petro. O órgão destacou a rapidez da apuração preliminar, ressaltando que ela é “apenas para fins informativos”.

Em abril, Rafael Vargas, diretor de gestão eleitoral, defendeu o processo, afirmando que o Registro Nacional gerencia o processo e que a confiança está nos mais de 850 mil mesários. Ele explicou que o software utilizado é uma ferramenta de consolidação de dados e não permite alterações nos resultados, pois os dados finais são registrados em atas manuais.

Human Rights Watch defende a integridade do processo eleitoral

Juanita Goebertus, diretora para as Américas da Human Rights Watch, manifestou apoio ao sistema eleitoral colombiano, afirmando que “a Colômbia possui um sistema eleitoral independente e confiável”. Ela considerou lamentável que o presidente esteja “semeando dúvidas injustificadas” e previu que Espriella e Cepeda irão para o segundo turno. Goebertus concluiu que “a comunidade internacional deve apoiar o Registro Nacional”.

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