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Porta-aviões dos EUA em Terra Tailandesa Após 286 Dias no Mar: Denúncias de Más Condições e Saúde Mental Abalam Tripulação

USS Abraham Lincoln Chega à Tailândia em Meio a Controvérsias Sobre Condições da Tripulação

O porta-aviões americano USS Abraham Lincoln, após uma missão marítima de 286 dias, aportou nesta quarta-feira (2) no porto de Laem Chabang, na Tailândia. A chegada da colossal embarcação nuclear ocorre em meio a crescentes denúncias sobre as precárias condições de vida enfrentadas por seus quase 5.000 tripulantes durante a extensa viagem.

A tripulação do Lincoln, que partiu da Califórnia em novembro de 2025, teve sua missão original no Mar do Sul da China desviada para o Oriente Médio. O porta-aviões permaneceu em alto-mar por um período excepcionalmente longo, intensificado pelo conflito regional desencadeado há seis meses.

As alegações de piora na qualidade de vida a bordo, incluindo problemas de saúde mental e tentativas de suicídio, geraram críticas à condução militar e à duração prolongada da missão. A situação levou a pedidos de investigação por parte de parlamentares democratas nos Estados Unidos. Conforme informação divulgada pela agência AFP, os tripulantes terão cinco dias de liberação na cidade de Pattaya.

Descanso Merecido ou Fuga das Dificuldades?

A chegada ao porto tailandês marca um momento de alívio para a tripulação, que recebeu autorização para cinco dias de descanso na cidade litorânea de Pattaya. Este destino é um ponto tradicional de repouso para tropas americanas desde a Guerra do Vietnã. Militares foram vistos em cerimônias, expressando prioridades simples como “comida, descanso e água”, segundo relatos à imprensa.

O capitão Dan Keeler, comandante da missão, classificou o período como um “descanso merecido para toda a tripulação”. Famílias aguardam ansiosamente o reencontro. Shakeira Fairfax, por exemplo, viajou de Nova Jersey para se reunir com sua filha militar, Jada, que completou 25 anos a bordo do Lincoln.

“É a primeira vez que ela fica em um espaço confinado por tanto tempo. É difícil para mim imaginar”, compartilhou Fairfax, relatando os planos de Jada para cuidados pessoais como unhas e uma massagem em Pattaya. A expectativa na cidade é alta, com comerciantes locais, como o músico neozelandês Anthony “AJ” Jones, prevendo um “impacto econômico” positivo.

Restrições em Pattaya e Impacto Econômico

A cidade de Pattaya, conhecida por seu turismo, preparou-se para receber os militares, mas com algumas restrições. Autoridades locais proibiram a entrada dos tripulantes em áreas de notória vida noturna e também o consumo de maconha e a prática de esportes aquáticos. O prefeito de Pattaya, Poramase Ngampiches, enfatizou a importância da “segurança” e incentivou visitas a shoppings e locais religiosos.

O prefeito negou que uma recente operação contra a prostituição na cidade estivesse ligada à chegada dos norte-americanos, apesar de Pattaya ter um histórico associado ao turismo sexual. A expectativa é que a presença dos militares gere um impacto econômico de cerca de 100 milhões de bahts, aproximadamente R$ 15,3 milhões, durante a estadia do porta-aviões, que deixará o porto no domingo (6).

Investigações e Minimização das Denúncias

Em Washington, a situação a bordo do USS Abraham Lincoln já é alvo de atenção. Parlamentares democratas solicitaram uma investigação formal sobre as condições de vida, após denúncias de escassez de alimentos e o agravamento de problemas de saúde mental. O veículo especializado Navy Times reportou ao menos duas tentativas de suicídio por parte de marinheiros que teriam se lançado ao mar.

O presidente Donald Trump, no entanto, minimizou esses relatos, assim como as questões sobre a duração excepcionalmente longa da missão. Hung Cao, secretário adjunto interino da Marinha, reconheceu a ocorrência de “um pequeno número de casos relacionados à saúde mental”, mas assegurou que “nenhuma morte” foi registrada, buscando tranquilizar a opinião pública sobre a gravidade da situação a bordo do porta-aviões.

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