
Deportados para o Congo: Latino-americanos em Limbo nos EUA Relatam Violações e Medo em Novo Continente
Deportados para o Congo: Latino-americanos em Limbo nos EUA Relatam Violações e Medo em Novo Continente Nunca imaginei que acabaria na África, afirma Jorge Cubillos, um dos 15 latino-americanos deportados dos Estados Unidos para a República Democrática do Congo. Fugindo de ameaças em seu país natal, a Colômbia, Cubillos buscou uma nova vida nos EUA, onde possuía autorização de trabalho e um processo de asilo em andamento. Sua deportação repentina para o Congo, sem explicações claras, o deixou doente, desorientado e longe de sua família. Este grupo, composto por pessoas da Colômbia, Peru e Equador, é o primeiro a ser enviado ao Congo sob um acordo polêmico firmado pelo governo do ex-presidente Donald Trump com países terceiros. Embora o governo congolês tenha defendido a ação como um ato de solidariedade internacional, os deportados relatam condições longe do ideal e deterioração de sua saúde, conforme divulgado pela BBC News Mundo. As histórias revelam um calvário que começou com visitas de agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE). Muitos, como Marta, que preferiu não revelar seu nome por medo de represálias, relatam ter sido detidos e deportados apesar de terem autorização de trabalho e processos migratórios em andamento. A falta de informação e a incerteza sobre o futuro geram um profundo impacto emocional e psicológico no grupo. Direitos Humanos Violados e Condições Precárias Marta conta que, após ser liberada de uma longa batalha legal e com um habeas corpus concedido por um juiz federal, foi surpreendida por agentes do ICE em sua casa no Texas. O que parecia uma verificação de endereço se transformou em uma detenção e, posteriormente, em um voo para o Congo. “Sinto que nossos direitos humanos foram violados”, desabafa, criticando a desinformação que circula nas redes sociais, rotulando-os como criminosos. Hubert Tshiswaka, diretor do Instituto de Pesquisa sobre Direitos Humanos (IRDH), critica duramente o acordo, considerando-o contrário aos compromissos internacionais de proteção a refugiados. O advogado especialista em direitos humanos afirma que não há base legal para trazer essas pessoas ao Congo, especialmente dos EUA, e muito menos para mantê-las detidas. O IRDH denuncia uma violação do princípio da não devolução e transferências forçadas. Uma Viagem Desumana e o Medo do Futuro O grupo relata que a viagem para o Congo foi “desumana”. Jorge Cubillos descreve ter passado mais de 25 horas acorrentado pela cintura, mãos e pés, com suprimentos mínimos. Outra deportada, que também pediu anonimato, foi convocada para retirar um GPS e acabou sendo informada de sua deportação para um “terceiro país”. A falta de água potável, cortes de energia e doenças como febre, vômitos e diarreia são relatadas pelos deportados, que recebem a resposta de que é apenas o corpo se adaptando à África. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou que está prestando assistência humanitária, mas os migrantes sentem-se “completamente à deriva”. Carlos Rodelo, que obteve proteção sob a Convenção contra a Tortura (CAT) nos EUA, foi detido e deportado antes que um juiz federal pudesse se pronunciar sobre seus








