
Cuba Liberta Mais de 2.000 Presos em Gesto Humanitário, Em Meio a Diálogos com EUA e Vaticano
Cuba anuncia libertação de 2.010 prisioneiros em gesto humanitário Cuba divulgou nesta quinta-feira (2) a soltura de 2.010 detentos de suas prisões, em uma medida descrita como um “gesto humanitário e soberano”. O anúncio, veiculado pela mídia estatal cubana, ocorre em um momento delicado de negociações com os Estados Unidos e coincide com as celebrações religiosas da Semana Santa. Esta é a segunda vez neste ano que o governo cubano anuncia uma anistia em larga escala, reforçando a importância de tais ações em seu contexto diplomático. A decisão é apresentada como resultado de uma análise criteriosa dos crimes cometidos, da conduta dos presos e do tempo de pena cumprido. O jornal oficial do Partido Comunista, Granma, detalhou que a medida considerou a boa conduta na prisão, o cumprimento de uma parte significativa da pena e o estado de saúde dos detentos. No entanto, a anistia não contemplará condenados por crimes graves como agressão sexual, abuso, homicídio, tráfico de drogas e outros delitos violentos, além de reincidentes ou aqueles que já receberam indultos anteriormente. Conforme informação divulgada pela mídia estatal cubana. Libertações anteriores e o contexto diplomático Há cerca de duas semanas, Cuba já havia libertado 51 prisioneiros, uma ação que foi interpretada como um sinal de “boa vontade” em direção ao Vaticano, um mediador histórico entre Havana e Washington. Essa liberação anterior foi comunicada pelo Ministério das Relações Exteriores como um gesto para fortalecer as relações com a Santa Sé. As recentes medidas de anistia ocorrem em um cenário de renovadas tensões entre Cuba e os Estados Unidos. Washington mantém um embargo petroleiro contra a ilha e o presidente Donald Trump tem intensificado declarações críticas ao país caribenho. A diplomacia vaticana tem desempenhado um papel crucial nas relações entre os dois países, facilitando o degelo diplomático em 2015. Atuação do Vaticano e a questão dos presos políticos A Igreja Católica tem sido uma importante intermediária entre Cuba e os EUA há décadas, tendo sido fundamental no restabelecimento das relações diplomáticas em 2015. Em fevereiro deste ano, o ministro cubano das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, foi recebido pelo Papa Leão 14, e uma semana antes, um diplomata do Vaticano se reuniu com representantes americanos para discutir a situação em Cuba. Em janeiro de 2025, em uma mediação anterior envolvendo o Vaticano e após o anúncio da retirada de Cuba da lista de “Estados patrocinadores do terrorismo” por Joe Biden, o regime cubano comprometeu-se a libertar 553 presos. Essa medida, no entanto, foi revogada por Donald Trump ao assumir a presidência. Organizações de direitos humanos cobram libertação de presos políticos A ONG 11J, que monitora detenções em Cuba desde as manifestações de 11 de julho de 2021, estima que haja pelo menos 760 presos “por razões políticas” na ilha. Segundo a organização, 358 deles foram detidos por participar dos protestos históricos que pediam “liberdade” e o fim da ditadura. Após o recente anúncio do governo cubano, a ONG 11J exigiu a “libertação plena e incondicional de todas as pessoas encarceradas por motivos








