
Gideon Levy: “Apoio Incondicional dos EUA a Israel Acabará em Breve; É Hora de Acordar”
Jornalista israelense Gideon Levy alerta para o fim do apoio irrestrito dos EUA e critica a política de guerra de Israel, apontando para um futuro incerto e doloroso. O jornalista e escritor israelense Gideon Levy, conhecido por suas posições críticas à política externa de Israel, projeta um futuro próximo onde o apoio incondicional dos Estados Unidos ao país chegará ao fim. Segundo Levy, a crescente oposição da opinião pública americana às ações militares em Gaza está moldando essa perspectiva. Para Levy, essa mudança, embora possa parecer negativa, não significa o fim de Israel, mas sim uma limitação nas operações militares que o país pode conduzir. Ele argumenta que a dependência de Israel do suporte americano, incluindo tecnologia, armas e apoio diplomático, é total. O jornalista, que está no Brasil para lançar seu livro “O Massacre de Gaza: Relatos de uma Catástrofe”, defende que a guerra em Gaza não começou em 7 de outubro, nem se resume à figura do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Ele critica a tendência de culpar apenas Netanyahu, ignorando questões estruturais mais profundas na sociedade israelense. A informação é de acordo com o jornalista em entrevista durante sua passagem pelo Brasil. A Virada de 7 de Outubro e a Perda da Empatia Gideon Levy descreve o ataque do Hamas em 7 de outubro como um ponto de virada para muitos israelenses, inclusive para a esquerda. Ele observa que uma crença disseminada é a de que, após o ataque, Israel teria o direito de agir sem limites, e que não existem mais palestinos inocentes em Gaza. Essa percepção, segundo o jornalista, terá consequências terríveis, pois extingue a esperança de um futuro de paz. Levy lamenta que, mesmo com manifestações recentes em Israel, a maioria delas foi contra Netanyahu ou pela libertação de reféns, e pouquíssimas foram contra a guerra em si. Eleições em Outubro e a Continuidade da Política de Guerra Apesar das pesquisas indicarem que Benjamin Netanyahu pode não conseguir formar uma coalizão após as eleições de outubro, Levy não acredita que isso trará uma mudança fundamental na política de Israel em relação a Gaza, Líbano ou Irã. Ele prevê que os substitutos de Netanyahu podem ser melhores em questões como corrupção e democracia interna, mas não nas políticas centrais de guerra e ocupação. “Nenhum deles foi ou será contra a guerra no Líbano, em Gaza, no Irã, o apartheid e a ocupação. Isso significa que a política básica continuará”, afirma Levy. O Legado de Netanyahu e a Radicalização Israelense Levy antecipa que a história será muito crítica com Benjamin Netanyahu, lembrando-o principalmente pelo que ele chama de “genocídio”. Ele também aponta que Israel se tornou um “estado pária”, gerando vergonha para seus cidadãos no exterior, uma situação que, embora não tenha começado com Netanyahu, foi drasticamente agravada por ele. O jornalista questiona se o apoio massivo da população israelense às ações militares mudará, mas se mostra cético. Ele argumenta que em Israel é mais fácil obter apoio para ações militares do que para acordos políticos ou diplomáticos,








