
Copa 2026: Trump endurece regras de entrada mirando eleição e usa esporte para desviar atenção, diz cientista político
Cientista político americano Jules Boykoff aponta uso político da Copa do Mundo de 2026 nos EUA, com foco em eleições de meio de mandato em novembro. O cientista político americano Jules Boykoff, estudioso da relação entre esporte e política, afirmou em entrevista à Folha que o governo de Donald Trump tem endurecido as regras de entrada para a Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos. Segundo Boykoff, essa medida visa desviar a atenção de problemas internos e reforçar uma cultura de segurança, especialmente com as eleições de meio de mandato se aproximando em novembro. Enquanto muitos países utilizam o esporte como ferramenta de soft power, promovendo sua imagem e valores, os EUA, na visão do especialista, têm optado pelo sportswashing. Este termo, que dá título ao seu livro mais recente, “Red Card: The 2026 World Cup, Sportswashing, and the FIFA Greed Machine”, refere-se ao uso da boa imagem do esporte para mascarar problemas e obter dividendos políticos. Boykoff, que já foi jogador de seleções de base dos EUA e morou no Rio de Janeiro, critica a postura da FIFA. Ele aponta que a entidade perdeu sua influência, exemplificando com a decisão sobre a venda de cervejas na Copa do Qatar, onde a FIFA pouco pôde fazer. A entrega antecipada do Prêmio da Paz da FIFA a Trump é vista como um erro estratégico, pois eliminou qualquer poder de barganha para influenciar o comportamento do ex-presidente. Restrições de entrada colidem com o espírito do futebol As políticas de exclusão do governo Trump, segundo Boykoff, são angustiantes e totalmente previsíveis. Elas colidem diretamente com o espírito da Copa do Mundo, que prega a união global, e com o lema da FIFA de que “o futebol une o mundo”. Em vez de unir, o futebol está sendo usado para dividir sob a administração Trump. O especialista critica a falta de posicionamento da FIFA diante das restrições impostas aos participantes da Copa. Ele aponta que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, cometeu um erro estratégico ao entregar o Prêmio da Paz a Trump antes do torneio, perdendo uma oportunidade de usá-lo como incentivo para um comportamento mais positivo. Hipercapitalismo e inacessibilidade marcam a Copa nos EUA Boykoff observa uma confluência do hipercapitalismo ao estilo americano com a máquina de ganância da FIFA. Os preços dinâmicos dos ingressos, embora soem bem, tornam o acesso ao torneio extremamente difícil para a maioria das pessoas. Isso cria um paradoxo: mais seleções participando, mas um público menor e mais restrito. Ele argumenta que Infantino e Trump se uniram para transformar o esporte do povo no esporte dos plutocratas, acessível apenas a uma pequena elite. Essa inacessibilidade, tanto pela política de imigração quanto pelos altos preços, exclui muitos que poderiam celebrar o futebol. Sportswashing como estratégia política de Trump Para Boykoff, o que se observa nos EUA é um claro caso de sportswashing. Ele define o termo como o uso do esporte por líderes políticos para desviar a atenção de problemas sociais e violações de direitos humanos, buscando








