A surpreendente declaração de José Ramos-Horta, vencedor do Prêmio Nobel da Paz e presidente de Timor-Leste, de apoio à seleção nacional de Cabo Verde, tem gerado curiosidade e debate. Em um gesto que pode custar-lhe votos, ele anunciou publicamente sua torcida pelos “tubarões azuis” cabo-verdianos, em detrimento da popularidade de Portugal em seu país.
A ligação entre Timor-Leste e Portugal é profunda, marcada por décadas de colonização e uma forte paixão pelo futebol português. Ramos-Horta descreve a euforia de seus conterrâneos a cada jogo de Portugal, com celebrações que chegam a parecer luto nacional quando a seleção lusitana é derrotada.
No entanto, o presidente timorense revela um motivo especial para sua admiração por Cabo Verde. Durante sua luta pela independência de Timor-Leste, o apoio que recebeu não veio dos grandes poderes, mas sim de nações menores como Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, além de aliados como palestinos e sarauís.
Essa admiração se estende à história pessoal de sua família, com relatos de que seu avô, deportado de Portugal por ser anarquista, teria passado por Cabo Verde antes de se estabelecer em Timor. Agora, com a estreia de Cabo Verde na Copa do Mundo, Ramos-Horta demonstra seu apreço de forma única, buscando uma bandeira cabo-verdiana para exibir em seu carro.
A força dos “Tubarões Azuis” no cenário mundial
Cabo Verde, um arquipélago com meio milhão de habitantes, tem se destacado no futebol internacional. A seleção, conhecida como “tubarões azuis”, montou um time competitivo com jogadores da diáspora, conquistando a admiração de torcedores bem-humorados e galvanizando o país.
O feito da seleção cabo-verdiana em se classificar para a Copa do Mundo é notável, especialmente ao superar seleções com histórico mais robusto, como Camarões, oito vezes participante do mundial. A vitória sobre Camarões foi celebrada com criatividade, como a imagem de um tubarão inflável “devorando” um camarão no Estádio Nacional da Praia.
Em busca da bandeira cabo-verdiana
A declaração de Ramos-Horta evidencia a dificuldade em encontrar símbolos de Cabo Verde em Timor-Leste, onde a bandeira portuguesa ainda predomina no imaginário popular ligado ao futebol. Ele expressou seu desejo de ter uma grande bandeira de Cabo Verde para exibir, demonstrando seu engajamento com a seleção.
O presidente timorense, no entanto, não abandona suas outras paixões, afirmando que também apoiará Portugal e Brasil. Mas, para ele, Cabo Verde já alcançou uma vitória especial ao chegar à Copa do Mundo, um feito que ressoa com a história de emigração do arquipélago.
Cabo Verde: Um elo com a diáspora e a história
A participação de Cabo Verde na Copa do Mundo também simboliza um reencontro com a rica história de emigração do país. Por séculos, marinheiros cabo-verdianos foram recrutados por baleeiros norte-americanos, levando a formação de grandes comunidades em estados como Massachusetts, Rhode Island e Connecticut.
Dessa forma, a seleção cabo-verdiana joga em “casa” para muitos de seus cidadãos espalhados pelo mundo. A jornada dos “tubarões azuis” na Copa é, portanto, uma celebração de identidade, resiliência e um orgulho nacional que transcende fronteiras.
Conforme relatado pelo próprio José Ramos-Horta, ele está em busca de uma bandeira de Cabo Verde para demonstrar seu apoio, mostrando a força dos laços que unem as nações lusófonas em momentos de celebração esportiva e histórica. A sua declaração, embora inesperada, reforça a importância do esporte como ponte entre culturas e povos.





