Realidade cruel ou crítica social? Reality “As Patroas” de Viih Tube e Eliezer expõe funcionários a desafios polêmicos e gera investigação do MPT.
O reality show “As Patroas”, idealizado pela influenciadora Viih Tube e seu marido, Eliezer, prometia mostrar o dia a dia da casa do casal com a participação de 11 funcionários. No entanto, a proposta rapidamente se tornou alvo de intensas críticas e chamou a atenção do Ministério Público do Trabalho (MPT).
A dinâmica inicial, que envolvia a busca por moedas espalhadas pela mansão, incluindo locais inusitados como o vaso sanitário e o lixo, gerou revolta e preocupação. O programa, que buscava premiar os participantes com R$ 20 mil, foi retirado do YouTube em menos de 24 horas após seu lançamento.
Segundo o casal, a intenção do reality era promover um debate sobre a precarização do trabalho e a escala 6 por 1. Contudo, a forma como a mensagem foi apresentada levantou sérias questões sobre a dignidade e o respeito aos trabalhadores. Conforme informação divulgada pelo g1, o MPT abriu um procedimento para apurar os fatos após tomar conhecimento da atividade pela imprensa.
Dinâmica controversa revolta público e especialistas
O primeiro episódio do reality exibiu cenas em que funcionários, como o motorista Anderson, precisaram revirar o lixo do banheiro para encontrar moedas. “Eu peguei de dentro do lixo. Cheio de papel, cheio de bosta”, comentou Anderson, expressando seu desconforto. Outra funcionária teve que entrar em um lago artificial dentro da casa para cumprir o desafio.
Essas situações foram amplamente criticadas nas redes sociais, com muitos usuários considerando os desafios como humilhantes e desrespeitosos. A exposição de trabalhadores em circunstâncias degradantes gerou um forte repúdio da sociedade e de órgãos fiscalizadores.
MPT e TST se manifestam sobre o caso
Diante da repercussão negativa, o Ministério Público do Trabalho em São Paulo abriu um procedimento para investigar o reality show “As Patroas”. O órgão informou que está apurando os fatos para garantir que os direitos trabalhistas sejam respeitados.
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) também se manifestou sobre o caso, ressaltando que expor trabalhadores a situações humilhantes ou constrangedoras pode caracterizar assédio moral. Em nota, o TST afirmou que “a Constituição Federal protege a dignidade da pessoa humana, e a Justiça do Trabalho reconhece a responsabilização por condutas abusivas. Humilhação não é entretenimento. No ambiente de trabalho, inclusive no doméstico, respeito é dever”.
Objetivo do reality, segundo os criadores
Viih Tube e Eliezer, em suas defesas, afirmaram que o objetivo principal do reality show e de quadros como o “Lavando Roupa Suja” era promover uma discussão sobre a precarização das relações de trabalho e a necessidade de acabar com a escala 6 por 1. Eles argumentam que o programa buscava conscientizar o público sobre essas questões.
Apesar das justificativas, a forma como a mensagem foi transmitida gerou debates sobre os limites do entretenimento e a responsabilidade de figuras públicas na abordagem de temas sensíveis. O caso levanta importantes reflexões sobre a dignidade no trabalho e o uso das redes sociais para discussões sociais.
Premiação e futuro do programa
O reality show previa a distribuição de R$ 60 mil em prêmios. O primeiro colocado ganharia R$ 20 mil, além do valor acumulado nas provas. O segundo colocado receberia apenas o montante das provas, e o terceiro seria agraciado com uma motocicleta. O programa não previa eliminações, e a vencedora seria escolhida por acumular mais pontos.
Após a polêmica, o futuro do programa e de quadros relacionados à dinâmica de trabalho dos funcionários permanece incerto. A repercussão negativa e a investigação do MPT indicam que o reality de Viih Tube e Eliezer pode ter um desfecho complicado, levantando questionamentos sobre a ética na produção de conteúdo.





