Acnur: Queda no número de refugiados e deslocados em 2025 mascara retornos perigosos a zonas de conflito
Um dado inédito foi divulgado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) em 2025. Pela primeira vez em dez anos, o número de pessoas forçadas a deixar suas casas devido a perseguições, conflitos e violações de direitos humanos apresentou uma queda global. No entanto, essa redução não é motivo de celebração imediata, pois esconde uma realidade preocupante.
A diminuição de 4% no contingente de deslocados e refugiados, totalizando 117,8 milhões ao final de 2025, deve-se principalmente a um aumento expressivo no número de pessoas que retornaram a seus países de origem. Este cenário, embora aparente uma melhora, é alarmante devido às condições precárias e inseguras encontradas em muitos desses locais de retorno.
Conforme relatório do Acnur, a maioria dos retornos ocorreu em circunstâncias adversas, para áreas com segurança comprometida, acesso limitado a serviços básicos e infraestrutura destruída. A situação exige atenção redobrada para garantir a proteção e o bem-estar dessas populações que buscam reconstruir suas vidas em meio a desafios extremos.
Afeganistão registra alto volume de retornos em meio a políticas restritivas
O Afeganistão foi palco de um dos maiores fluxos de retorno em 2025. Cerca de 1,38 milhão de afegãos retornaram do Irã, impulsionados pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o país persa e por políticas mais restritivas do regime iraniano para refugiados. Adicionalmente, aproximadamente 559 mil afegãos deixaram o Paquistão e voltaram para seu país, muitos deles de forma não voluntária, devido a mudanças nas políticas paquistanesas.
Síria vê retorno em massa após queda de regime, mas instabilidade persiste
A Síria, que por anos liderou a crise de refugiados com cerca de 6 milhões de pessoas fora de suas fronteiras, vivenciou uma reviravolta em dezembro de 2024 com a queda do regime de Bashar al-Assad. Em 2025, cerca de 1,3 milhão de sírios retornaram do exterior, um número quase triplicado em relação ao ano anterior. Outros 2 milhões de deslocados internos voltaram para suas regiões de origem.
Apesar do aumento nos retornos, a situação na Síria continua volátil, com episódios de violência em diversas regiões. Grande parte da infraestrutura do país foi destruída após mais de uma década de guerra, tornando o retorno um desafio complexo e perigoso para muitos sírios.
Sudão e Venezuela: retornos em áreas de menor combate e percepção de melhora
Com o conflito no Sudão entrando em seu quarto ano, refugiados e deslocados internos retornaram a áreas onde os combates diminuíram. Em 2025, foram registrados 651,5 mil retornos de refugiados sudaneses e 2,9 milhões de deslocados internos. Na Venezuela, a percepção de melhora nas condições levou a um aumento nos retornos, com mais de 1,2 milhão de venezuelanos retornando ao país desde 2018.
Américas concentram maior número de deslocados e Brasil acolhe milhares de venezuelanos
As Américas se consolidam como a região com a maior taxa de deslocamento do mundo, abrigando quase 23 milhões de pessoas. Venezuela e Haiti são os principais responsáveis por esse índice, sendo que no Haiti houve um aumento de 38% nos deslocados internos devido à prolongada crise humanitária. O Brasil se destaca como um dos principais países de acolhimento de refugiados venezuelanos, com 699 mil pessoas, segundo o Acnur, sendo a Colômbia o maior destino com 2,8 milhões.
Refugiados palestinos e ucranianos: números e desafios específicos
O número de refugiados palestinos sob o mandato da UNRWA, a agência da ONU responsável por este grupo, chegou a quase 6 milhões. Já os refugiados ucranianos, após quatro anos de conflito, aumentaram 2% em 2025, totalizando 5,2 milhões, sendo a maioria acolhida na Europa, com a Alemanha liderando em número de receptores.
Em 2025, quase 5,4 milhões de pessoas foram forçadas a fugir de seus países. Oito nações foram responsáveis por quase 60% dessas novas fugas, incluindo Sudão, Ucrânia e Venezuela. O Acnur define refugiados como aqueles forçados a fugir de seu país por perseguição, guerra ou violência, enquanto deslocados internos são aqueles que se movem dentro de seu próprio país devido a conflitos ou violações de direitos humanos.





