Rei Charles III faz escala nas Bermudas e mantém discrição sobre conflitos internacionais
O Rei Charles III fez uma parada estratégica nas Bermudas nesta sexta-feira (1º), marcando sua primeira visita a um território britânico ultramarino desde que ascendeu ao trono em 2022. A escala ocorre logo após uma viagem oficial aos Estados Unidos, considerada um sucesso diplomático, mas o monarca optou por um tom discreto em relação às tensões políticas globais.
Durante sua estadia no arquipélago, Charles III evitou comentar diretamente as crescentes tensões entre o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e o atual primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. O atrito político está relacionado à recusa do Reino Unido, em conjunto com outros aliados europeus, em aderir à guerra liderada pelos EUA e Israel contra o Irã, conflito que já ultrapassa dois meses.
A visita do Rei às Bermudas, onde foi recebido pelo primeiro-ministro local, David Burt, e outras autoridades, teve um tom festivo, com a presença de estudantes e a execução do hino nacional britânico, seguida por uma música animada de Bob Marley. Conforme divulgado, a viagem também serviu para reforçar os laços entre o Reino Unido e seus territórios, além de coincidir com a preparação para o 250º aniversário da independência dos EUA.
Primeira visita de Charles como monarca a território ultramarino
Chegando às Bermudas na noite de quinta-feira (30), o Rei Charles III iniciou sua agenda no arquipélago com interações com a comunidade local. Ele cumprimentou estudantes e participou de conversas na escadaria da igreja de São Pedro, em Saint George’s. Um momento marcante foi a execução do hino nacional pela banda do Regimento Real das Bermudas, seguida por uma nota mais descontraída com a canção “Jamming”, de Bob Marley.
Esta viagem representa um marco para o Rei Charles III, sendo a primeira vez que ele visita um território britânico ultramarino como monarca. A última vez que um membro da realeza britânica esteve em uma visita de Estado aos EUA foi em 2019, com a Rainha Elizabeth II. A Rainha Camilla, que acompanhou o Rei em sua visita aos Estados Unidos, não participou desta etapa nas Bermudas.
Discurso nos EUA e aliança transatlântica
Durante sua passagem pelos Estados Unidos, na terça-feira (28), o Rei Charles III proferiu um discurso no Congresso americano. Em suas palavras, ele destacou que o mundo atravessa “momentos de incerteza”, referindo-se aos conflitos em andamento no Irã e na Ucrânia, e também ao atentado contra Donald Trump. O monarca ressaltou a importância da aliança entre os Estados Unidos e o Reino Unido, descrevendo-a como “insubstituível e inquebrável”.
A visita de Estado aos EUA também foi marcada por um gesto diplomático de Donald Trump. No último dia da estadia real, quinta-feira (30), o ex-presidente anunciou a suspensão das tarifas sobre o uísque britânico. Trump, conhecido por usar tarifas como ferramenta de política externa, declarou em sua rede social Truth Social que removeria em breve as tarifas e restrições que afetavam a produção de uísque escocês em colaboração com o estado americano de Kentucky.
Trump elogia o Rei Charles III e suspende tarifas de uísque
A decisão de Trump de suspender as tarifas sobre o uísque foi anunciada como “em honra ao Rei e à Rainha do Reino Unido”. O ex-presidente americano, que já demonstrou admiração pela monarquia britânica, elogiou o Rei Charles III durante a visita de quatro dias, chamando-o de o “maior rei”. A ação foi vista como um sinal de boa vontade e um esforço para fortalecer as relações bilaterais.
A viagem do Rei Charles III aos EUA, embora oficialmente focada no aniversário de 250 anos da independência americana, teve também o objetivo de restaurar e fortalecer os laços entre as duas nações. O casal real expressou gratidão pela “calorosa recepção” recebida durante sua primeira viagem ao país como monarcas, consolidando a importância da relação transatlântica.





