Relatora da ONU, Francesca Albanese, pede ao Brasil fim do comércio com Israel e acusa país de apartheid
Em declarações contundentes, a relatora especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos nos territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese, defendeu que o Brasil suspenda todo o comércio com Israel. A advogada italiana, que se tornou persona non grata em Israel em fevereiro de 2024, argumenta que sanções são necessárias para o fim da ocupação israelense em território palestino.
Albanese, frequentemente alvo de acusações de antissemitismo por parte de Israel e seus aliados, explicou que a Convenção do Apartheid de 1973 se refere a regimes com condutas semelhantes às da África do Sul, não se limitando ao país africano. Ela fundamenta sua acusação de apartheid ao afirmar que Israel utiliza diferenças religiosas e étnicas para criar um sistema supremacista contra os palestinos.
A relatora especial também criticou a atuação dos Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU, que, segundo ela, impede a aplicação do direito internacional. Conforme informação divulgada pela fonte, Albanese acredita que os Estados-membros da ONU devem obedecer ao direito internacional e não auxiliar um país que possivelmente comete crimes internacionais, o que inclui a suspensão de exportação de armas e energia.
A posição de Albanese ganhou destaque após a divulgação de um vídeo editado em fevereiro, que a levou a ser criticada por países como França e Alemanha. Na ocasião, a relatora foi acusada de dizer que Israel era o “inimigo comum” da humanidade, mas ela esclareceu que se referia ao “sistema que permite o genocídio na Palestina”. Mesmo com o esclarecimento, seu mandato, que termina em 2028, foi alvo de pedidos de renúncia.
Albanese sofreu sanções dos EUA após declarações sobre ataque de 7 de Outubro
A decisão de Israel de declarar Francesca Albanese persona non grata ocorreu após ela afirmar que os civis israelenses mortos no ataque do Hamas em 7 de Outubro foram vítimas não por serem judeus, mas como resposta à opressão cometida por Israel. Após essas declarações, a relatora relatou ter sofrido sanções significativas por parte dos Estados Unidos, incluindo a revogação de seu visto diplomático, o encerramento de sua afiliação acadêmica na Universidade Georgetown, a confiscação de seu apartamento, o cancelamento de seu seguro de saúde e o fechamento de sua conta bancária.
Críticas e acusações contra a relatora da ONU
A relatora especial tem sido alvo de críticas e acusações, incluindo alegações de apoiar o terrorismo e ser porta-voz do Hamas. Albanese refuta veementemente essas acusações, destacando que há um amplo registro de suas falas condenando os ataques de 7 de Outubro e os crimes cometidos pelo Hamas contra civis israelenses. Ela descreve seus detratores como “carniceiros” e um “exército infindável de lacaios” que buscam qualquer pretexto para atacá-la.
Apartheid: Discriminação racial e étnica como base do sistema
Albanese argumenta que, embora a Corte Internacional de Justiça não tenha explicitamente afirmado que Israel comete apartheid na Cisjordânia, a convenção de 1973 sobre o apartheid abrange regimes com condutas similares. Ela explica que, mesmo que Israel não utilize o termo “raça”, a discriminação se manifesta através da diferenciação religiosa e étnica para criar um sistema supremacista contra os palestinos, tratando-os como inferiores e, em alguns casos, sub-humanos.
Futuro político e a necessidade de sanções internacionais
A relatora não acredita que uma mudança de governo em Israel alterará a política em relação aos palestinos, pois a anexação territorial e a luta contra árabes são prioridades para muitos israelenses. Por isso, ela reforça a necessidade de sanções internacionais contra Israel, incluindo a suspensão de exportações de armas e carvão, como forma de pressionar o país a cumprir o direito internacional e proteger os direitos dos palestinos.
Quem é Francesca Albanese
Francesca Albanese, 49 anos, é italiana e possui formação em direito pela Universidade de Pisa e mestrado em direito humanitário pela Universidade de Londres. Trabalhou para o Escritório de Direitos Humanos da ONU e para a UNRWA, agência da ONU para refugiados palestinos. Foi eleita relatora especial em 2022 pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU.





