Aumento de 52% em pedidos de brasileiros para deixar Portugal em 2025
O número de brasileiros que buscam apoio para retornar de Portugal tem disparado. A Organização Internacional para Migrações (OIM), ligada à ONU, reportou um crescimento de 52% nos pedidos de auxílio para o retorno voluntário no primeiro semestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Este dado alarmante sugere que o tão sonhado “sonho português” está se transformando em desilusão para muitos.
O programa “Apoio ao Retorno Voluntário e à Reintegração” da OIM oferece assistência a imigrantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica, independentemente de sua situação migratória. O aumento expressivo de brasileiros utilizando este serviço chama a atenção, indicando dificuldades crescentes para a comunidade brasileira em terras lusitanas.
Os números são claros: enquanto em todo o ano de 2024 foram registradas 432 inscrições de brasileiros para o retorno, apenas nos primeiros sete meses de 2025, esse número já atingiu 470. A média mensal de pedidos saltou de 44 para 67, confirmando a tendência de alta, conforme divulgado pela Organização Internacional para Migrações.
Brasileiros lideram pedidos de retorno, representando 80% do total
Embora o programa da OIM atenda imigrantes de diversas nacionalidades, como venezuelanos, cingaleses e moçambicanos, os brasileiros se destacam significativamente. Representando a maior comunidade estrangeira em Portugal, com 30% do total de imigrantes, eles são responsáveis por impressionantes 80% de todos os pedidos de retorno. A participação de crianças nos retornos, com 85 crianças retornando ao Brasil com apoio oficial no ano passado, evidencia que famílias inteiras estão desistindo da vida em Portugal.
Como funciona o apoio e quais os obstáculos para o retorno
O auxílio oferecido pela OIM inclui a compra da passagem aérea e um subsídio de 70 euros (aproximadamente R$ 415) para despesas durante a viagem. O benefício é entregue diretamente ao solicitante no dia da partida. No entanto, o processo exige a comprovação de vulnerabilidade econômica e a demonstração de que o retorno por conta própria não é viável.
Um fator crucial que desestimula alguns é a restrição imposta aos participantes: quem usufrui do programa fica impedido de entrar em Portugal e em qualquer outro país do Espaço Schengen por três anos. Essa limitação leva muitos a repensarem, preferindo adiar o retorno e se reorganizar para buscar oportunidades em outros destinos europeus, ou até mesmo retornar ao Brasil por seus próprios meios.
Desilusão com o “sonho português”: múltiplos perfis de decepção
As histórias de brasileiros que se sentiram decepcionados com a vida em Portugal são cada vez mais comuns. Os perfis são variados, incluindo aqueles que chegaram de forma irregular e enfrentaram dificuldades com emprego e documentação, até mesmo aqueles que possuíam visto e emprego garantido, mas se depararam com um alto custo de vida e de moradia, optando pelo retorno ao Brasil como a melhor alternativa.





