Sorriso (MT) se Torna o Gigante do Etanol de Milho no Brasil, Transformando Grãos em Riqueza
O Brasil alcançou a marca de 8,3 bilhões de litros de etanol de milho na safra 2024/2025. Deste expressivo volume, a cidade de Sorriso, localizada em Mato Grosso, se destacou como líder absoluta, respondendo por nada menos que 1 bilhão de litros. Este feito, confirmado por dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e da secretaria de Agricultura do município, consolida a região como um polo fundamental na produção nacional deste biocombustível.
O sucesso de Sorriso reflete um movimento mais amplo em Mato Grosso, que também conta com forte desempenho das usinas em Lucas do Rio Verde, Sinop e Primavera do Leste. O estado demonstrou sua força ao utilizar 12,5 milhões de toneladas de milho para a produção de etanol na última safra, com projeções otimistas de aumento para 13,5 milhões de toneladas na safra atual, segundo a União Nacional do Etanol de Milho (Unem).
A força de Mato Grosso no setor é inegável, abrigando 13 das 27 biorrefinarias de etanol de milho em operação no país. Goiás aparece em segundo lugar com cinco unidades, e a expansão continua, com outras 12 usinas previstas para se instalarem no território mato-grossense, conforme levantamento da Unem. Essa expansão promete impulsionar a produção nacional para 16,63 bilhões de litros em 2034, um crescimento significativo.
O Milho Ganha Novo Valor com a Indústria do Etanol
A instalação de novas usinas em Sorriso e região tem um impacto direto e positivo no mercado do milho. O presidente do Sindicato Rural de Sorriso, Clóvis Picolo Filho, destaca que mais de 40% do milho produzido localmente agora é direcionado às biorrefinarias. Isso cria uma concorrência saudável com mercados interestaduais e externos, elevando o valor do grão.
O milho, que antes era apenas um grão, agora assume um papel estratégico ao passar por processamento industrial. Em Sorriso, a transformação do milho em etanol e coprodutos, como DDG (grãos secos de destilaria) e óleo, eleva o preço final da matéria-prima e gera novas receitas. Esse avanço impulsiona o desenvolvimento em toda a região, como explica Picolo Filho.
Etánol de Milho e a Política Energética Nacional
O crescimento da produção de etanol de milho acompanha a política de mistura obrigatória do biocombustível na gasolina, atualmente fixada em 30%. O presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Guilherme Nolasco, aponta que o volume de investimentos e a crescente produção viabilizam o aumento dessa mistura para 35%. Esta meta, aprovada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), tem implementação prevista a partir de 2029.
DDG: Um Coproduto Valioso para a Cadeia Produtiva
Um dos coprodutos gerados no processo de fabricação do etanol de milho são os DDGS (grãos secos de destilaria). Este insumo, rico em proteínas, fibras, gorduras e minerais, ganha cada vez mais espaço na alimentação animal, sendo utilizado na formulação de rações para bovinos, suínos e aves. A produção nacional de DDGS já supera 4 milhões de toneladas por ano, acompanhando a expansão das biorrefinarias.
Em Sorriso, a produção de DDG na safra 2024/2025 rendeu impressionantes 869 mil toneladas. O valor equivalente do milho quando convertido em etanol e coprodutos pode chegar a R$ 98 por saca, um aumento significativo em relação ao preço do grão negociado entre R$ 45 e R$ 46. Essa agregação de valor demonstra o potencial econômico da indústria de etanol de milho para a região.




