Projeto “SUS na Floresta” leva atendimento médico a comunidades ribeirinhas do Amazonas, transformando o acesso à saúde em áreas remotas.
Moradores de comunidades ribeirinhas no Amazonas, que antes enfrentavam longas e custosas viagens para obter atendimento médico básico, agora contam com unidades de saúde mais próximas de suas casas. O projeto “SUS na Floresta” está expandindo a cobertura da Atenção Primária à Saúde, adaptando-se às realidades de deslocamento, sazonalidade dos rios e particularidades culturais dessas populações.
A iniciativa, resultado de parcerias público-privadas, visa reforçar o Sistema Único de Saúde (SUS) e garantir o direito universal à saúde, mesmo em locais de difícil acesso. A meta é atender cerca de 4,7 mil pessoas em 56 comunidades ribeirinhas apenas nas primeiras unidades inauguradas em Carauari.
As novas unidades contam com consultórios para atendimentos presenciais e remotos, telessaúde, equipamentos modernos e áreas de permanência para as equipes de saúde. Os serviços são integrados ao SUS e executados em colaboração com prefeituras e secretarias municipais de saúde, conforme divulgado pelo IDIS.
Estruturas adaptadas à realidade amazônica
Aldeniza Silva e Silva, moradora da comunidade ribeirinha de Boa Vista, em Carauari (AM), exemplifica a dificuldade enfrentada antes do projeto. Grávida de sete meses, ela precisava viajar por dois ou três dias de rabeta até a zona urbana para consultas médicas. “Até agora, ela só passou por três consultas, quando o ideal, segundo o Ministério da Saúde, é que as gestantes sejam acompanhadas em um mínimo de seis”, relata o conteúdo original.
Com a inauguração de dois pontos de atendimento em bases da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) nas regiões de Campina e Bauana, essa realidade mudou. “Agora [a distância] é só de uma praia”, comemorou Aldeniza, que passou a realizar seu pré-natal no posto de Campina. Ela também aproveitou para levar a filha, de seis anos, para ser consultada.
As unidades são equipadas para oferecer desde atendimentos básicos, como tratamento de gripes e ferimentos, até consultas de pré-natal e acompanhamento de doenças crônicas. A telessaúde permite o acesso a médicos especialistas sem a necessidade de longos deslocamentos.
SUS na Floresta: um modelo inovador para o Brasil
O projeto “SUS na Floresta” é uma iniciativa do programa Juntos pela Saúde, executado pela FAS em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Umane, com gestão do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS).
Guilherme Sylos, diretor de prospecção e parcerias do IDIS, explica que o objetivo “não é criar uma estrutura paralela ao SUS, mas sim reforçá-la”. As equipes de atendimento são vinculadas à rede pública e à Estratégia Saúde da Família.
As novas estruturas foram inauguradas nas comunidades de Bauana e Campina, em Carauari, recebendo os nomes de Raimundo Ribeiro de Lima (Saborá) e Laice Santos do Nascimento, respectivamente. Juntas, elas beneficiarão cerca de 4,7 mil pessoas de 56 comunidades ribeirinhas.
Impacto positivo e prevenção de agravos
O projeto já demonstra resultados positivos, evitando a necessidade de resgates de emergência. Em Campina, cinco chamadas para ambulanchas foram evitadas na semana de inauguração, incluindo o caso de Thiago Freitas Andrade, que sofreu um ferimento no pé. “Estava doendo muito, eu passei duas noites sem dormir”, contou.
O enfermeiro Antônio Carlos Alves Bezerra, atuando em Campina, destacou a variedade de atendimentos realizados, desde ferimentos graves até casos de gripe, que são comuns na região, especialmente em crianças. “São atendimentos que poderiam ser feitos tranquilamente aqui e que as pessoas não precisariam se deslocar até Carauari”, afirmou.
Jefferson Martins Honorato, enfermeiro em Bauana, ressalta a importância da proximidade com as comunidades. “Se eles tiverem, vamos supor, uma algia abdominal (dor de barriga), eles não vão querer ir até o município. Eles vão procurar um remédio caseiro. Mas se estiver aqui um profissional, um enfermeiro, um técnico ou um agente de saúde, eles vão nos procurar e vamos aplicar a medicação correta automaticamente”, disse.
Ampliação e futuro do SUS na Floresta
O “SUS na Floresta” começou a ser estruturado em 2020, durante a pandemia, para garantir o atendimento a ribeirinhos desassistidos. A expectativa é que o projeto ofereça suporte contínuo, mesmo em situações de calamidade pública, pandemias ou eventos climáticos extremos.
Ao todo, o projeto prevê a instalação de seis pontos de atendimento. Além das unidades em Carauari, já foi inaugurada uma em Ubim (Eurinépé), e estão previstas mais três em Itapiranga e Novo Aripuanã, além de um alojamento para profissionais em Uarini. Todos os novos pontos contam com apoio do BNDES e Umane.
“Ao aproximar a Atenção Primária das comunidades, o SUS na Floresta contribui para prevenir agravamentos, dar continuidade aos tratamentos e tornar efetivo o direito universal à saúde de acordo com as necessidades de cada território”, concluiu Guilherme Sylos.




