Teerã em Pânico: Bombardeios Imprevisíveis Atingem Civis e Levam Terror à População Iraniana
A vida em Teerã se tornou uma aposta diária para seus milhões de habitantes. Ataques aéreos imprevisíveis, que ocorrem frequentemente durante a noite, têm gerado pânico e destruição em bairros residenciais. A incerteza sobre os alvos e a proximidade dos bombardeios com áreas civis intensificam o medo e a angústia da população.
Moradores são arrancados de seus lares pelo som ensurdecedor das explosões, testemunhando a devastação de casas, prédios e até mesmo parques. A falta de sirenes de alerta e abrigos antiaéreos agrava a vulnerabilidade dos cidadãos, que se veem expostos a um perigo constante.
A guerra, que teve início em 28 de fevereiro, já deixou um rastro de milhares de mortos e feridos, com a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos confirmando 1.212 mortes militares e 1.606 civis, incluindo 244 crianças. O Crescente Vermelho do Irã relatou 21 mil feridos civis. Conforme informação divulgada pela Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, o Crescente Vermelho do Irã e reportagens da mídia local, estes são os dados mais recentes sobre as vítimas da guerra.
A Realidade da Guerra nas Ruas de Teerã
A destruição em Teerã é visível e impactante. Uma casa de três andares em um bairro residencial do oeste da capital foi completamente destruída em um ataque aéreo, com estruturas de ferro despedaçadas e prédios vizinhos severamente danificados. Vizinhos, confusos e em choque, se reúnem em meio aos escombros, buscando entender o que aconteceu e quem eram os moradores da casa atingida. Equipes de resgate com cães vasculham os destroços em busca de sobreviventes.
Moradores locais especulam que o alvo poderia ter sido um comandante da Guarda Revolucionária do Irã, mas a falta de confirmação oficial aumenta a apreensão. Para muitos, a linha entre alvos militares e civis se tornou perigosamente tênue. Nazanin, moradora do bairro Tehran-Pars, relatou ter encontrado a frente de sua sala de estar destruída após um ataque que atingiu um pequeno parque próximo à sua residência. “Duas horas antes do bombardeio, saímos de casa”, conta ela. “Quando voltamos, tudo estava massivamente danificado.”
O Medo de Ter um Alvo Militar Como Vizinho
A declaração do presidente Donald Trump, de que os Estados Unidos atingiriam o Irã “com extrema força” e o “levaria de volta à Idade da Pedra”, ecoa nos ouvidos dos iranianos. Israel, por sua vez, anunciou uma “aceleração” dos ataques a alvos militares. No entanto, muitos iranianos questionam a versão de que apenas figuras militares e do regime são atingidas. A possibilidade de que a próxima figura do regime ou instalação militar na lista seja vizinha deles é uma perspectiva assustadora.
Parisa, que foi acordada pela explosão, expressa a angústia: “Como podemos saber quem são nossos vizinhos, ou para que este prédio era usado?” A destruição de estruturas civis, como casas, hospitais e centros comerciais próximos, é uma realidade frequente. A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos relatou a morte de 244 crianças desde o início da guerra, um dado que chocou o comitê da ONU sobre os direitos da criança.
Infraestrutura Civil e Símbolos Nacionais Sob Ataque
A cidade de Teerã, com seus 10 milhões de habitantes, tem sido o epicentro dos ataques. Além de atingir autoridades em suas casas e escritórios, e quartéis militares, os ataques também atingiram infraestrutura civil crucial. Depósitos de combustível, uma universidade, uma empresa farmacêutica, o aeroporto civil e um estádio foram alvos. Símbolos nacionais como a Torre Azadi e palácios históricos como Golestan e Sa’dabad também sofreram danos.
A Guarda Revolucionária, que teve um escritório possivelmente atingido em Narmak, área de classe média, conforme rumores locais, exemplifica a incerteza dos alvos. “Eles dizem que estão mirando apenas instalações e figuras militares”, comenta Solmaz. “Mas o que vemos e nos importa é que pessoas inocentes estão sendo feridas.” A falta de alerta e abrigos torna a população civil ainda mais vulnerável.
Retaliação Iraniana e a Luta pela Normalidade
Em resposta aos bombardeios, o Irã tem realizado ataques diários de mísseis e drones contra Israel e países do Golfo, atingindo bases americanas, infraestrutura civil e instalações de energia. As retaliações iranianas já causaram dezenas de mortes na região. Apesar da violência, alguns moradores tentam manter a normalidade, com restaurantes e cafeterias permanecendo abertos.
A prefeitura de Teerã enfrenta dificuldades para lidar com as consequências do conflito, com cerca de 28 mil unidades residenciais danificadas e 4.000 pessoas desabrigadas. A sensação de medo é palpável, e as histórias de ataques imprevisíveis, como o que atingiu um apartamento acima de um supermercado, reforçam a fragilidade da vida na capital iraniana. A esperança é que a paz prevaleça e o ciclo de violência cesse.





