Crise Pós-Terremoto na Colômbia: Governo de Espriella Sob Fogo Cruzado Após S série de Erros na Gestão da Catástrofe
Três dias após assumir a presidência da Colômbia, Abelardo de la Espriella viu seu governo ser testado por um devastador terremoto de magnitude 7,4. A tragédia, que deixou quase 300 mortos, tornou-se um marco inicial desafiador para o líder ultradireitista, que ascendeu ao poder com um discurso populista e de ruptura com a política tradicional.
Desde então, a condução da crise tem sido marcada por uma série de tropeços que afetam a imagem do governo. A repercussão negativa de algumas ações e a percepção de desalinhamento com o sofrimento da população colocam em xeque a capacidade de resposta da administração Espriella.
A fragilidade na gestão da emergência ficou evidente em episódios que rapidamente viralizaram nas redes sociais, gerando comparações com falhas de outros líderes mundiais em momentos de crise. Conforme informações divulgadas, a situação se agrava com a ameaça de uma moção de censura contra um dos principais ministros.
Ministro da Habitação em Meio a Escândalo de Férias Durante Crise do Terremoto
Um dos episódios que mais gerou indignação envolveu o ministro da Habitação, Jaime Beltrán. Flagrado em viagem de férias com a família em Santa Marta, o pastor e ex-prefeito de Bucaramanga foi criticado por sua ausência durante o período em que o país buscava sobreviventes entre os escombros. A situação é particularmente sensível, pois, segundo o jornal El País, 90% das moradias na Colômbia não possuem seguro contra terremotos, deixando milhares de vítimas dependentes das ações da pasta para a reconstrução.
Diante da repercussão negativa, Beltrán defendeu-se alegando uma breve viagem para visitar a família, afirmando que “por trás do ministro, há um pai, há um marido, há um filho”. No entanto, as críticas ecoaram até mesmo de aliados políticos, como senadores do partido Centro Democrático, que apoia Espriella. O senador Rafael Nieto Loaiza questionou a postura do ministro enquanto “milhares de famílias enfrentam as consequências do terremoto e algumas tiveram de dormir em abrigos improvisados porque perderam tudo”.
A pressão sobre Beltrán aumentou com a sugestão de renúncia feita pelo senador Andrés Forero, também do Centro Democrático. Forero alertou que a permanência do ministro no cargo poderia “arrastar o presidente para a resolução de um problema no qual não tem envolvimento e submetendo o governo a uma pressão prematura e desnecessária”.
Moção de Censura e Dificuldades na Ajuda Internacional
A ação do ministro da Habitação pode ter consequências práticas. Alejandro Toro, deputado do Pacto Histórico, partido do ex-presidente Gustavo Petro, anunciou a apresentação de uma moção de censura contra Beltrán, medida que pode levar à sua destituição. “O país não pode se dar ao luxo de ter um ministro alheio ao sofrimento do povo enquanto milhares de famílias não sabem onde vão dormir nos próximos meses”, declarou Toro ao anunciar a iniciativa.
Apesar de Toro ter reunido as 40 assinaturas necessárias para debater o assunto na Câmara, a aprovação da moção de censura dependerá do apoio de outras siglas, o que pode ser um caminho árduo. O Pacto Histórico, embora tenha a maior bancada, precisará de aliados para garantir a maioria.
Para além do caso de Beltrán, o governo Espriella enfrentou críticas pela falta de organização na coordenação da ajuda internacional. A decisão de autorizar equipes de busca e resgate de apenas quatro países – Estados Unidos, Israel, Equador e El Salvador –, todos alinhados ideologicamente ao presidente, gerou controvérsia. A lentidão na liberação dessas equipes, anunciada mais de dois dias após o terremoto, ocorreu quando as operações de resgate se aproximavam do fim da janela crítica de 72 horas para encontrar sobreviventes.
Outros Tropesos na Resposta à Catástrofe
Outro ponto de questionamento foi a proposta do coordenador da pasta do Interior, Rodrigo Lara, de pedir a operadoras de celular a doação de dados móveis para crianças terem acesso à educação virtual. Paula Moreno, ex-ministra da Cultura, criticou a ideia, apontando a falta de conectividade à internet na região afetada e a impossibilidade de muitas crianças possuírem celulares. A especialista ressaltou a necessidade de focar em mão de obra para agilizar a reconstrução.
Até terça-feira, o número de mortos confirmados em decorrência do terremoto era de 289, com 4.187 feridos, segundo balanço divulgado pelo próprio presidente Espriella. A sucessão de falhas na gestão da crise pós-terremoto levanta sérias dúvidas sobre a capacidade do governo em lidar com desafios de grande magnitude e em atender às necessidades urgentes da população afetada.





