Mãe e filho brasileiros morrem em ataque de Israel no Líbano, diz Itamaraty
O governo brasileiro confirmou nesta segunda-feira (27) a morte de uma mãe e seu filho, ambos cidadãos brasileiros, em decorrência de ataques de Israel no Líbano ocorridos no domingo (26). O pai da família, de nacionalidade libanesa, também foi vítima fatal. Outro filho do casal, também brasileiro, encontra-se hospitalizado.
A notícia foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, que emitiu uma nota expressando profundas condolências à família enlutada e condenando veementemente o ataque. A pasta ressaltou que o ocorrido representa mais uma violação inaceitável ao cessar-fogo anunciado em 16 de abril.
Segundo o Itamaraty, as violações ao cessar-fogo já resultaram na morte de dezenas de civis libaneses, incluindo mulheres e crianças, além de uma jornalista e dois integrantes franceses da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil). As vítimas brasileiras seriam as primeiras a morrer desde o início do conflito.
Conflito se arrasta e trégua é fragilizada
O conflito entre Líbano e Israel, que oficialmente estariam sob um cessar-fogo, tem sido marcado por combates contínuos desde que o Hezbollah iniciou ataques contra Israel em apoio ao Irã. O Irã, por sua vez, tem sido alvo de ofensivas dos Estados Unidos e de Israel desde o final de fevereiro.
As negociações para uma resolução do conflito, que já completou dois meses, enfrentam dificuldades. A trégua atual não conseguiu resolver os bloqueios no estreito de Hormuz, operados tanto pelos EUA quanto pelo Irã. Ambos os lados buscam pressionar o rival para obter concessões.
Nesta segunda-feira, o Irã culpou Washington pelo fracasso das negociações e enviou seu chefe da diplomacia, Abbas Araghchi, para se reunir com Vladimir Putin em Moscou. O líder russo afirmou que fará tudo o que servir aos “interesses de todos os povos da região para garantir que a paz seja alcançada o mais rapidamente possível”.
Brasil condena ataques e pede cumprimento de resoluções da ONU
O Brasil reiterou sua mais veemente condenação a todos os ataques perpetrados durante a vigência do cessar-fogo, tanto por parte das forças israelenses quanto do Hezbollah. A nota do Itamaraty também condenou as “demolições sistemáticas de residências e de outras estruturas civis no sul do Líbano” pelas forças israelenses, e o consequente deslocamento forçado de mais de um milhão de libaneses.
O ministério enfatizou a importância do cumprimento da resolução do Conselho de Segurança da ONU de 2006, que encerrou a guerra entre Israel e Hezbollah. O texto da nota declara que o Brasil expressa sinceras condolências aos familiares das vítimas.
Israel alega necessidade de segurança e EUA mediam trégua
O porta-voz em língua árabe do Exército israelense, coronel Avichay Adraee, afirmou em rede social que, em vista da violação do acordo de cessar-fogo pelo Hezbollah, as Forças Armadas de Israel são obrigadas a tomar “medidas decisivas”. Ele listou sete vilarejos ao sul do rio Litani como alvos.
O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, declarou em reunião de gabinete que a “segurança de Israel, a segurança de nossos soldados, a segurança de nossas comunidades” são o que os obriga a agir. Ele acrescentou que Israel “age vigorosamente de acordo com as regras que acordamos com os EUA e também, aliás, com o Líbano”.
Líbano e Israel estão em contato direto e sob negociações mediadas pelos EUA. Na última quinta-feira (23), a trégua foi estendida por mais três semanas, conforme anúncio do presidente americano, Donald Trump. No entanto, os combates, embora reduzidos em intensidade, não foram totalmente encerrados.
Vítimas e contexto do conflito
O Ministério da Saúde libanês informou no domingo que ataques israelenses no sul do país mataram 14 pessoas, incluindo duas crianças e duas mulheres. Não está claro se esses números incluem a mãe e o filho brasileiros. Ao todo, 37 pessoas ficaram feridas. O número total de mortos no Líbano durante o conflito atingiu 2.521, com mais de 7.800 feridos.
As Forças Armadas de Israel têm realizado ataques em diferentes regiões do Líbano desde o início do cessar-fogo. Tropas israelenses permanecem em território libanês em uma área definida inicialmente como “linha amarela”, com profundidade de 5 a 10 km ao longo da fronteira, onde ocorrem demolições de casas e infraestrutura em vilarejos.





