Trump e o Irã: Um novo acordo nuclear em meio a conflito e incertezas
Em um desdobramento surpreendente, o presidente Donald Trump, após 100 dias de guerra com o Irã, que resultaram em 7.500 mortos e um custo estimado de US$ 100 bilhões, assinou um novo acordo com o país persa. Este pacto, que visa a questão nuclear iraniana, já gera comparações e debates acalorados, especialmente com o Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA), o acordo firmado por Barack Obama em 2015 e duramente criticado por Trump.
A decisão de Trump de renegociar um tema tão sensível levanta questionamentos sobre os reais avanços obtidos e se este novo entendimento será mais eficaz que o anterior. A complexidade da relação entre EUA e Irã, marcada por décadas de tensão, adiciona camadas de dificuldade à análise deste novo capítulo.
O acordo de Obama, o JCPOA, foi alvo de severas críticas por parte de Trump, que o considerava falho em conter o programa nuclear iraniano e em abordar outras preocupações, como o desenvolvimento de mísseis e o apoio a grupos militantes. A saída dos EUA do JCPOA em 2018 e a retomada das sanções contra o Irã levaram Teerã a acelerar seu programa nuclear, aumentando significativamente suas reservas de urânio enriquecido.
Conforme informação divulgada, o JCPOA previa o alívio de sanções em troca de limites ao enriquecimento de urânio, com um rigoroso sistema de inspeções. Assinado por potências mundiais, o acordo foi desmantelado pela saída americana, o que resultou na suspensão das inspeções e no avanço do programa nuclear iraniano. Atualmente, o Irã detém 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, nível próximo ao necessário para a fabricação de armas nucleares.
As exigências iniciais de Trump e o novo acordo
Quando a guerra foi iniciada em 28 de fevereiro, Trump exigia o desmonte total do programa nuclear iraniano, incluindo a transferência ou destruição de todo o estoque de urânio altamente enriquecido. O JCPOA, por sua vez, estipulava a venda, transferência para o exterior ou diluição do urânio, com o envio de 11,3 mil quilos para fora do país.
O novo acordo firmado por Trump, no entanto, é um memorando de entendimento de apenas uma página e meia, consideravelmente mais conciso que o JCPOA, que possuía 18 páginas e levou mais de um ano para ser negociado. As informações disponíveis indicam que o destino do urânio iraniano será discutido nos próximos 60 dias, com a diluição do material em território iraniano, sob fiscalização da Agência Internacional de Energia Nuclear, sendo o cenário mais provável.
Recursos financeiros e sanções: Mudanças no cenário
Trump, que criticava a liberação de recursos para o Irã sob o acordo de Obama, afirmou que o país poderia ter acesso a um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões de países do Golfo, caso cumprisse as exigências do novo pacto. No entanto, o vice-presidente J. D. Vance esclareceu que nenhum recurso será liberado antes do cumprimento das obrigações por parte do Irã. Ainda assim, espera-se o levantamento de parte das sanções e a liberação de cerca de US$ 24 bilhões em ativos iranianos congelados a curto prazo.
Outras exigências iniciais de Trump, como o fim do programa de mísseis iranianos e o encerramento do apoio a milícias aliadas, não foram contempladas no acordo. O único avanço concreto mencionado é o compromisso de reabrir o Estreito de Hormuz, que estava virtualmente fechado desde o início do conflito. Contudo, é importante notar que o fechamento do estreito foi uma consequência direta da guerra iniciada por Trump.
Comparando os acordos: Semelhanças e diferenças cruciais
Enquanto o JCPOA estabelecia um limite de 3,67% para o enriquecimento de urânio, bem abaixo do necessário para fins bélicos, o novo acordo pode prever uma suspensão total do enriquecimento por 10 anos ou mais. Entretanto, a garantia de cumprimento por parte do Irã é incerta, assim como a estrutura de fiscalização, que ainda não foi detalhada, diferentemente da rigidez do JCPOA.
Recentemente, Trump reiterou suas críticas ao JCPOA, descrevendo-o como um caminho para o Irã obter armas nucleares. Ele afirmou que o novo acordo é uma “muralha” que impedirá o país de possuir armas nucleares para sempre. Há muitas dúvidas sobre os desdobramentos após os 60 dias de negociação, mas o estilo de Trump sugere que ele declarará seu acordo como superior ao de Obama.





